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  O filme “The Nativity Story”, aprovado pelo Vaticano: mas, era aprovável?

 13 de dezembro 2006

Muita publicidade tem-se feito ao redor deste filme, apresentado como “aprovado pelo Vaticano”. De fato, a pré-estréia realizou-se no próprio Vaticano, na presença de uma prestigiosa platéia. Mas com uma ausente notável: a atriz principal, de 16 anos de idade, por causa de gravidez fora do matrimônio, segundo os informes da imprensa. E ali aparece o rabo do demônio, porque este filme não era para ser recomendado pelo Vaticano, nem para ser visto pelos católicos.

Em efeito, o filme afasta-se em vários pontos da verdade histórica tal como narrada nos Evangelhos, e do Dogma católico.

 A Virgindade de Maria

- A Tradição, e mesmo a própria Sagrada Escritura, nos ensina que Maria, por uma inspiração divina, tinha feito o voto de virgindade. Seu casamento com José, que tinha feito ele também este voto, era o meio de proteger tanto o voto como a boa fama da Virgem, não existindo ainda o monacato atual. Nos planos da Providência, era também o meio de proporcionar, para o Verbo de Deus encarnado, uma família exemplar onde pudesse crescer.  

- No filme, Maria recusa o matrimônio com José não por causa de voto algum, mas “porque não [ama] este homem”. Em nenhum momento menciona-se o seu propósito de permanecer virgem. Maria acaba aceitando, mas apenas pelo mandato paternal. Além do anterior, belo modelo de família na verdade, esta que foi formada sem amor, apenas por obrigação mal aceitada! Que longe estamos do que foi chamado pelos Santos Padres de “Trindade da Terra”!

 

 A boa fama do casal

- A Tradição e a Sagrada Escritura ensinam que a única pessoa a ser perturbada pela gravidez de Maria foi o próprio São José. E assim tinha de ser, porque sendo Maria e José casados, ninguém tinha por quê se surpreender deste fato, menos São José. Um São José que não duvida nem um instante da virtude de sua Esposa, mas encontra-se diante da gravidez dEla, nessa altura inexplicável. Um São José que revela a sua grandeza de alma pela solução que ele imagina para sair desta situação embaraçosa: ele repudiará secretamente sua Esposa, conservando assim a honra de Maria e retirando-se do que ele compreende ser um mistério divino.

- O filme, ao contrário, apresenta cenas desagradáveis onde a Virgem e São José são desprezados pelos vizinhos por ter Ela, pelas aparências, desrespeitado o seu compromisso esponsalício. Até o seu pai, o pessimamente caracterizado São Joaquim que no filme nada tem de santo, vai inclusive afirmar amargamente que o pai seria “um soldado de Herodes”, retomando uma velha calúnia pagã.

 

O dogma da Imaculada Conceição maltratado

- A Tradição e a Sagrada Escritura ensinam que Maria deu a luz de maneira milagrosa, sem passar pelos sofrimentos comuns às mulheres depois do pecado original. Sendo Maria Imaculada na sua Conceição, não tinha porque sofrer as conseqüências do pecado original. Por outra parte, sabemos que Maria permanece virgem antes, durante e após o parto.

- No filme, como em vários outros de inspiração protestante, vê-se a Virgem dando a luz como uma mulher comum, numa negação ao menos implícita da sua Conceição Imaculada e Virgindade perpétua. Será também por isso que não fizeram o anjo chamá-la  de “cheia de graça”, em todo caso não deu para ouvir claramente, no momento da Anunciação?

 

Parece incrível que semelhante filme tenha sido “aprovado pelo Vaticano”, com tantos erros graves e cenas de mau gosto. Em todo caso, como católicos, não o aprovamos nem o recomendamos. Bem melhor é a meditação dos Evangelhos, em particular os de São Lucas e São Mateus, que apresentam de maneira divinamente delicada os Mistérios da Encarnação do Verbo de Deus.