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  Quem são os fundamentalistas?

 14 de novembro 2006

 

O observador dos últimos acontecimentos na Igreja, em particular na França,  em torno ao possível Motu Próprio liberando a Missa Tradicional, não pode deixar de ficar surpreso.
Surpreso da antecipação das reações sobre os fatos: nenhum documento oficial foi ainda promulgado, mas já todo mundo está reagindo: comunicados de imprensa, entrevistas e artigos fazem a primeira p
ágina dos jornais.

 

Surpreso da violência dos propósitos: os “fundamentalistas” não são os que se pensava. Os bispos rivalizam com os jornais católicos, para denunciar o “grave perigo” do retorno da Missa antiga: teve quem suplicou o Papa -“Sua Santidade, por favor, não faça isso”- ou inclusive o ameaçou -“parte dos fiéis poderia juntar-se aos protestantes”-, segundo o humor do dia. Alguns, outrora ardentes artesãos de todos os ecumenismos possíveis, grandes doadores de igrejas para os “irmãos muçulmanos”, e fornecedores de Catedrais para orgias maçônicas, que hoje se perguntam se foi uma boa coisa ter aceitado certos “integristas” retornarem para “a plena comunhão”; outros, bispos ou seminaristas nos seus 20 anos, acreditam ver ali um erro do Papa, que não perceberia as "conseqüências políticas" do seu gesto.

Surpreso das contradições: lê-se que os tradicionalistas são apenas “alguns velhos em via de extinção”  (Cardeal Cottier). Mas fala-se em conseqüências graves para a unidade da Igreja. Afirma-se que ninguém, nem fiel nem sacerdote, está interessado na Missa tradicional, mas teme-se liberalizá-la.

Tantas incoerências mal escondem a realidade: a besta modernista, que infesta a Igreja há mais de quarenta anos, sabe-se condenada à morte, e luta para não morrer sem levar consigo a Igreja toda.

Os “velhos em via de extinção”, são esses mesmos que fizeram o Concilio Vaticano II, e seus filhos que nascem velhos: será preciso lembrar que o clero francês tem em média 68 anos de idade? Será preciso lembrar que morrem aproximadamente mil sacerdotes cada ano na França, para menos de cem novos ordenados?

O “rito de uma outra época” é aquele criado artificialmente há 40 anos, com a pretensão de substituir o rito nascido e crescido junto com a Igreja. Com toda razão dizem os bispos que não podem subsistir dois ritos na Igreja: o rito novo tem de desaparecer, e desaparecerá, de bom grau ou pela força das coisas, quando não terá mais ninguém para celebrá-lo, o que não demorará muito em acontecer, por volta de 2040, segundo as estatísticas... 

A verdadeira razão destas reações está aqui: a besta conciliar defende-se desesperadamente, com a raiva de quem se sabe condenado sem remissão, porque bem conhece a realidade: os católicos não querem mais a sua reforma litúrgica com sabores protestantes. As sondagens falam por si mesmas: 79% a favor da liberdade para os sacerdotes celebrarem a Missa tridentina; 21% contra (sondagem do Le Figaro, em 10 de novembro).