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Ecclesia Dei... adflicta | |||
| Discurso do Cardeal Ricard, Presidente da CEF |
04 de novembro 2006 |
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Lourdes, França: Em seu discurso de apertura da assembléia plenária dos Bispos franceses, o Cardeal Ricard, Arcebispo de Bordeaux e Presidente da Conferencia Episcopal Francesa (CEF, o equivalente da CNBB), tratou do tema do possível Motu Próprio que Bento XVI estaria preparando para dar inteira liberdade a todo Padre para celebrar a Missa segundo o rito tridentino.O Cardeal, que acaba de ser recebido em Roma pelo Papa Bento XVI, em 26 de outubro, confirmou que a decisão de "liberar" a Missa tridentina ainda não foi tomada e o motu próprio ainda não foi assinado. |
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"O seu projeto
será objeto de diversas consultas. Podemos desde agora comunicar nossos
temores e desejos", disse o purpurado. Vários bispos franceses têm manifestado temor de ver a "ruptura da unidade litúrgica" na Igreja se fosse autorizado oficialmente o rito tridentino, aprovação que, segundo eles, questionaria o próprio concilio Vaticano II e suas reformas. Se não for assunto muito serio, daria para rir da preocupação repentina dos bispos franceses pela "unidade litúrgica", quando se vê a diversidade de ritos e cerimônias existentes: concretamente, existe um rito por paróquia ou sacerdote, as liturgias das "eucaristias" sendo inventadas pelas "equipes" em turno, de um domingo para o outro. Alias, o que existe não é a missa de Paulo VI, mas uma revolução litúrgica permanente, inscrita na mesma natureza desta liturgia renovada. Mas, o verdadeiro assunto é este: a despeito do que escrevem os jornalistas, fica claro que a questão não é apenas de "missa em latim". Como bem diziam os Cardeais Ottaviani e Bacci, antes do rito novo ter sido promulgado na Igreja, o "rito reformado representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento. Os “cânones do rito definitivamente fixado naquele tempo constituíam uma barreira intransponível contra qualquer tipo de heresia que pudesse atacar a integridade do Mistério”. Julgamento amplamente confirmado pelas estatísticas aterradoras que mostram que a maioria dos católicos não acredita mais na Presencia real, por exemplo. Porém, em algo concordamos com os bispos gauleses: a verdadeira questão não é tanto litúrgica como doutrinal, e o fundo do problema é o julgamento do concilio Vaticano II e suas reformas. Eles, sentados no meio das ruínas acumuladas por 40 anos de revolução eclesial -seminários vazios, idade meia dos sacerdotes acima de 68 anos, "novas paróquias" que juntam às vezes 35 paróquias antigas, as quais tinham cada uma pároco e vigário(s) antes do concilio, assistência esquelética das missas dominicais, “apostasia silenciosa” da Europa cristã - acham maravilhosos os frutos de 40 anos de aplicação da reforma conciliar. Nós, chorando sobre as mesmas ruínas, queremos ver afastadas as causas doutrinais de tão grandes males que redundam em perda das almas, e sim queremos "questionar todo o trabalho apostólico feito desde uns quarenta anos", perguntando para os bispos como Deus para Caim: "que tem feito do teu irmão?" |
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