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Tradição Católica vs Vaticano II

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 Índice geral > Tradição católica vs Vaticano II > O Ecumenismo

 

I- Carta de apresentação:

Menzingen, 6 de Janeiro de 2004
Festa da Epifania de Nosso Senhor


Eminência Reverendíssima, 

    Por ocasião dos vinte e cinco anos de pontificado do papa João Paulo II, nos pareceu importante nos dirigirmos a vós, bem como aos demais Revmos. Cardeais, a fim de partilhar convosco nossa grave preocupação com a situação da Igreja. Devido ao agravamento do estado de saúde do Santo Padre, desistimos de lhe escrever diretamente, ainda que o estudo anexo tenha sido inicialmente escrito para ele. 


     Para além do otimismo que cerca a celebração deste 25o. aniversário, a situação extremamente grave que atravessam tanto o mundo como a Igreja católica não escapa a ninguém. O próprio Papa, em sua Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, reconheceu que o tempo em que vivemos é o de uma “apostasia silenciosa” onde reina uma espécie de “agnosticismo prático e de indiferentismo religioso, que faz com que muitos europeus vivam aparentemente sem bases espirituais e como herdeiros que tivessem dilapidado o patrimônio que lhes fora legado [1].”


     Entre as principais causas deste trágico balanço, como não situar em primeiro plano o ecumenismo, iniciado oficialmente pelo Vaticano II e promovido por João Paulo II? Com o fim manifesto de estabelecer uma nova unidade, em nome de um desejo de “considerar antes o que nos une do que aquilo que nos separa”, se pretende sublimar, reinterpretar ou pôr de lado os elementos especificamente católicos que apareçam ser causas de divisão. Assim, menosprezando o ensinamento constante e unânime da Tradição, segundo o qual o Corpo místico do Cristo é a Igreja Católica e que fora dela não há salvação, este ecumenismo está destruindo os mais belos tesouros da Igreja, uma vez que, em lugar de aceitar a Unidade fundada sobre a plena verdade, quis construir uma unidade adaptada a uma verdade misturada com o erro.

 
     Este ecumenismo foi a causa principal de uma reforma litúrgica cujo efeito desastroso sobre a fé e a prática religiosa dos fiéis é patente. Foi este ecumenismo que corrigiu a Bíblia, desnaturando o texto divinamente inspirado para apresentar uma versão adocicada, inapta para fundamentar a fé católica. É este ecumenismo que agora tenta fundar uma nova Igreja, da qual o cardeal Kasper, em uma recente conferência [2], precisava os contornos. Jamais poderemos estar em comunhão com os promotores de tal ecumenismo que leva à dissolução da Igreja Católica — isto é, Cristo em seu Corpo Místico — e que destrói a unidade da fé, verdadeiro fundamento da comunhão da Igreja. Não queremos a unidade desejada por este ecumenismo, porque não é esta a unidade desejada por Deus, não é esta a unidade que caracteriza a Igreja Católica.


     É precisamente este ecumenismo que analisamos e denunciamos no documento em anexo, pois estamos persuadidos de que a Igreja não poderá corresponder a sua missão divina se não começar por renunciar claramente e condenar com firmemente esta utopia que, conforme as próprias palavras de Pio XI, “destroem completamente as fundações da fé Católica [3].”


     Conscientes de pertencer de pleno direito a esta mesma Igreja, e desejando sempre servi-la mais, nós vos suplicamos de fazer tudo o que está em vosso poder para que o Magistério atual reencontre rapidamente a linguagem multissecular da Igreja, segundo a qual “a união dos cristão não pode ser promovida senão favorecendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja do Cristo, que eles tiveram a desgraça de abandonar [4].” É então que a Igreja Católica voltará a ser farol da verdade e porto da salvação, no seio de um mundo que corre em direção de sua ruína porque o sal perdeu seu sabor.


     Eminência, não creia que queiramos de algum modo tomar o lugar do Santo Padre, mas que esperamos do Vigário de Cristo as medidas enérgicas e necessárias para tirar a Igreja do atoleiro em que um falso ecumenismo a colocou. Apenas aquele que recebeu o poder supremo, pleno e universal sobre toda a Igreja, pode propor estes atos salutares. Do Sucessor de Pedro, nós esperamos, na oração, que escute nosso apelo alarmado e que manifeste até o heroísmo esta caridade que foi pedida ao primeiro Papa ao receber seu cargo, a maior das caridades —
Amas Me mais do que estes? S. João XXI, 15 — aquela que deve salvar a Igreja.


     Eminência, rogamos que aceite nossas mais respeitosas saudações, em Jesus e Maria.


+ Bernard Fellay - Superior Geral

Franz Schmidberger – 1º Assistente Geral.

+ Alfonso de Galarreta – 2º Assistente Geral.

+ Bernard Tissier de Mallerais.

+ Richard Williamson.


 

Notas de rodapé:

[1]  João Paulo II, Ecclesia in Europa, nº. 7 e 9.  [Voltar para o texto da carta]

[2]  W. Kasper, The Tablet, Sábado, 24 de maio de 2003, May They All Be One? A Vision of Christian Unity for the Next Generation.  [Voltar para o texto da carta]

[3]  Pio XI, Mortalium animos, 6 de janeiro de 1928, AAS 20 (1928), pg. 7.   [Voltar para o texto da carta]

[4]   Ibid, pg. 14.  [Voltar para o texto da carta]

 

 

 

 

II- PLANO geral do documento:

 

Do Ecumenismo à Apostasia Silenciosa

 

 

Capítulo I

 ANÁLISE DO PENSAMENTO ECUMÊNICO

 

A unidade do gênero humano e o diálogo inter-religioso

- Cristo, unido a cada homem

- O Congresso de Assis

A Igreja de Cristo e o Ecumenismo

- A única Igreja de Cristo

- As divisões eclesiais

- Nem absorção nem fusão, mas dom recíproco

A recomposição da unidade visível

- A unidade dos sacramentos

- A unidade na profissão de fé

- A comunhão hierárquica

  

 

Capítulo II

 OS PROBLEMAS DOUTRINAIS

COLOCADOS PELO ECUMENISMO

 

A Igreja de Cristo é a Igreja Católica

A pertença à Igreja pela tripla unidade

- Unidade de fé

- Unidade de governo

- Unidade de sacramentos

- Conclusão

Fora da Igreja não há salvação

- Os não católicos são membros da Igreja?

- Há elementos de santificação e de verdade nas comunidades separadas?

- Serve-Se o Espírito Santo das comunidades separadas como meios de salvação? As “Igrejas irmãs”.

- O que nos une é maior do que aquilo que nos separa?

Conclusão

 

 

Capítulo III

 OS PROBLEMAS PASTORAIS

CAUSADOS PELO ECUMENISMO

 

O ecumenismo cria o relativismo da fé

- Relativiza as fraturas operadas pelos heréticos

- Pretende que a fé da Igreja pode ser aperfeiçoada pelas “riquezas” do outro

- Relativiza a adesão a certos dados da fé

- Promove a “reforma permanente” das fórmulas de fé

- Recusa ensinar sem ambigüidade o conteúdo integral da fé católica

- Coloca em pé de igualdade os santos autênticos e os “santos” supostos

- Provoca, portanto, a perda da fé

O ecumenismo afasta da Igreja

- Já não reclama a conversão dos heréticos e cismáticos

- Cria igualitarismo entre as confissões cristãs

- Humilha a Igreja e torna orgulhosos os dissidentes

Conclusão

 

 

CONCLUSÃO GERAL

 

Notas

 

 

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