|
Índice geral >
Tradição católica vs Vaticano II > Origens da crise
Luzes da encíclica “Pascendi” para os católicos de hoje
3) OS REMÉDIOS
Após uma
detalhada analise do sistema modernista e de suas causas, São Pio X
não deixa a Igreja sem esperança e grandes remédios. O Bom Pastor
denuncia os erros e sara as almas. Não foge diante do modernismo e
de seus falsos ensinos como o mercenário diante do lobo. Não ensina
tampouco que o lobo é um amigo!
Nos remédios que
resumimos aqui, podemos também reconhecer ainda que quem lê São Pio
X, seja modernista ou católico, não precisa de uma segunda leitura ‘com
a lupa’ para entender ou interpretar o que está afirmado.
3.1) A filosofia escolástica
“No que se
refere aos estudos, queremos em primeiro lugar e mandamos
terminantemente, que a filosofia escolástica seja tomada por base
dos estudos sacros” (...) “O que importa saber, antes de
tudo, é que a filosofia escolástica, que mandamos adotar, é
principalmente a de Santo Tomás de Aquino; a cujo respeito queremos
fique em pleno vigor tudo o que foi determinado pelo Nosso
Predecessor e, se há mister, renovamos, confirmamos e mandamos
severamente sejam por todos observadas aquelas disposições. Se isto
tiver sido descuidado nos seminários, insistam e exijam os Bispos
que para o futuro se observe. Tornamos extensiva a mesma ordem aos
Superiores das Ordens religiosas. E todos aqueles que ensinam fiquem
cientes de que não será sem graves prejuízos que especialmente em
matérias metafísicas, se afastarão de Santo Tomás. Fundamentada
assim a filosofia, sobre ela se erga com a maior diligência o
edifício teológico.” Pascendi.
A teologia
escolástica dogmática estuda a Verdade, Deus, sem fazer
considerações históricas. É o trabalho e os raciocínios da
inteligência iluminada pelos dados da Fé.
A teologia chamada
“positiva” estuda também Deus, mas a partir dos escritos históricos
e suas circunstâncias.
As tentativas
modernistas quanto à teologia positiva consistem em exagerar a sua
faceta viva. A história conta fatos vividos. Logo, dizem que a
teologia positiva estuda a Fé vivida. Daí, para os modernistas, será
muito fácil dar mais um passo dizendo que a fé fundada e verdadeira
é só uma fé vivida e legitimar o falso princípio da necessária
evolução desta fé. E inevitavelmente chegam assim a relativizar a
Verdade!
Outra conseqüência
imediata desse desvio será a repugnância com relação à escolástica,
acusada implicitamente de estudar uma fé morta!
Uma aplicação
concreta desta atitude modernista foi o caso dos catecismos! Os
catecismos seguindo o método tradicional, com boa doutrina (!!!) e
com perguntas e respostas, método aconselhadíssimo e usado por São
Pio X, desapareceram nos anos sessenta após o concílio Vaticano II.
Considerados secos e inaptos, foram substituídos por outros com
desenhos (muitos deles horríveis) e textos teoricamente mais vivos e
bem adaptados à juventude! O resultado é hoje visível...um imenso
vazio onde entraram facilmente abundantes seitas de qualquer
espécie.
Terminemos então
este parágrafo lembrando que o papel da teologia positiva é de
ajudar e confirmar a teologia dogmática, e não de incitar o teólogo
ou os leigos a criticar ou desprezar a escolástica.
3.2) A exclusão dos modernistas
O Papa São Pio X
reclama uma grande vigilância: “Todo aquele que tiver tendências
modernistas, seja ele quem for, deve ser afastado quer dos cargos
quer do magistério; e se já tiver de posse, cumpre ser removido.
Faça-se o mesmo com aqueles que, às ocultas ou às claras,
favorecerem o modernismo, louvando os modernistas, ou atenuando-lhes
a culpa, ou criticando a escolástica, os Santos Padres, o magistério
eclesiástico, ou negando obediência a quem quer que se ache em
exercício do poder eclesiástico” Pascendi.
“Não deve ser
menor a vossa vigilância e severidade na escolha daqueles que devem
ser admitidos ao Sacerdócio. Longe, muito longe do clero esteja o
amor às novidades; Deus não vê com bons olhos os ânimos soberbos e
rebeldes! — A ninguém doravante se conceda a láurea da teologia ou
direito canônico, se primeiro não tiver feito todo o curso de
filosofia escolástica” Pascendi.
3.3) As publicações autorizadas ou proibidas
Como diz São Pio X, o
modernista reformador reclama que : « Também devem ser
transformadas as Congregações romanas, e antes de todas, as do Santo
Ofício e do Índice. » Pascendi
Porém, São Pio X é Papa
e portanto rege, ensina e santifica. Conseqüentemente,
decide proteger os sacerdotes e os fiéis instituindo,
além do ‘Índice’ instaurado pelo Concílio de Trento, a ‘imprimatur’.
“Acresce também
saber que, assim como todo e qualquer alimento não serve igualmente
para todos, da mesma sorte um livro que pode ser inocente num lugar,
já noutro, por certas circunstâncias, pode tornar-se nocivo.”
Pascendi.
“No entanto não
basta impedir a leitura ou a venda de livros maus; cumpre,
outrossim, impedir-lhes a impressão. Usem pois, os Bispos a maior
severidade em conceder licença para impressão. — E visto como é
grande o número de livros que, segundo a Constituição Officiorum,
hão mister da autorização do Ordinário, é costume em certas dioceses
designar, em número conveniente, Censores, por ofício, para o exame
dos manuscritos. Louvamos com efusão de ânimo essa instituição de
censura; e não só exortamos, mas mandamos que se estenda a todas as
dioceses. Haja, portanto, em todas as Cúrias episcopais censores
para a revisão dos escritos em via de publicação”Pascendi.
“O Censor dará o
seu parecer por escrito. Se for favorável, o Bispo permitirá a
impressão com a palavra ‘Imprimatur’, que deverá ser precedida do
‘Nihil obstat’ e do nome do Censor.” Pascendi.
CONCLUSÃO do Papa São Pio X
“Julgamos
oportuno escrever-vos estas coisas, Veneráveis Irmãos, a bem da
salvação de todos os fiéis. Por certo os inimigos da Igreja hão de
valer-se disto, para de novo repisarem a velha acusação, com que
procuram fazer-Nos passar por inimigos da ciência e dos progressos
da civilização”.
(...) “Queira
Deus secundar os Nossos desígnios, e auxiliarem-nos todos quantos
têm verdadeiro amor à Igreja de Jesus Cristo. – Entretanto,
Veneráveis Irmãos, para vós, em cuja obra e zelo tanto confiamos,
pedimos de coração a plenitude das luzes celestiais, afim de que,
nesta época de tão grande perigo para as almas, devido aos erros que
de toda parte se infiltram, descortineis o que deveis fazer e o
executeis com todo o ardor e fortaleza. Que vos assista com seu
poder Jesus Cristo, autor e consumidor da fé; que vos assista com o
seu socorro a Virgem Imaculada, destruidora de todas as heresias. E
Nós, como penhor da Nossa afeição e como arras das divinas
consolações no meio de vossos trabalhos, de coração vos damos a vós,
ao vosso clero, e ao vosso povo a Benção Apostólica.
Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 8 de setembro de 1907, no
quinto ano do Nosso Pontificado.PIO X, PAPA.”
Voltar ao início
Indice |