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Informação vocacional
Tenho Vocação?
A SÃO JOSÉ
Padroeiro das Vocações
Advertência
O Ilmo. Pe.
Luis Maria Barrielle foi o Diretor Espiritual do Seminário São Pio X
em Ecône, escolhido para esta função tão importante por Dom Marcel
Lefebvre, Fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Neste trabalho
dedicado a São José, padroeiro das vocações, nos explica quais são
os princípios básicos da doutrina católica acerca da vocação.
CAPÍTULO I
O QUE É A VOCAÇÃO?
"Que imenso tesouro é um sacerdote realmente bom onde quer que se
encontre" (São Pio X)
Todo o mundo
está chamado à Santidade, à Salvação: “O Deus de toda graça que nos
chamou à sua glória eterna em Cristo Jesus”, disse São Pedro (1
Pedro V, 10).
Não falamos aqui
daquela vocação de todo homem à Salvação, senão da vocação
particular pela qual Deus chama a um estado de vida superior no qual
o homem, além dos mandamentos de Deus, renunciando ao mundo para
entregar-se totalmente a Ele, se obriga a observar os conselhos
evangélicos. É para esse estado de vida superior que se reserva
geralmente o nome de “vocação” em sentido estrito. Por isso, a
questão é saber se sou chamado por Deus a escolher um estado de vida
de perfeição em lugar de permanecer na vida comum. Dito de outra
maneira:
Tenho vocação?
Eis aqui uma
questão que perturbou a muitas almas generosas... “Posso?... Devo me
entregar totalmente a Deus?...”
Acontece ainda
que almas consagradas, frente às tentações ou aos ataques do demônio
“do meio-dia”, se perturbam e se perguntam:
“Estarei no meu
caminho?... Acaso não me terei enganado entrando no seminário?... ou
no convento?”
É então que o
demônio aproveita para perturbar, complicar, desanimar com
escrúpulos: “Quem sabe se...? Será que estou no meu caminho?”, etc.
Por esta razão, a fim de
ilustrar bem aos jovens que no começo da sua vida se fazem esta
pergunta de conseqüências incalculáveis: “tenho vocação?” e ajudar
igualmente as almas já comprometidas mas perturbadas, é que vamos
considerar o tema nestas breves páginas:
Existem mais vocações do que se crê
Deus sempre tem
dado ao mundo as vocações necessárias:
“Em nenhum
tempo, diz o Magistério da Igreja, e em nenhum lugar se pode pensar
que Deus não se preocupe das necessidades da Igreja e que, como o
tem feito no passado, não chame agora a Ele contingentes inumeráveis
de adolescentes suscetíveis na sua generosidade, força, integridade
e pureza, de atender à voz de Cristo e de conceber o desejo de se
entregar à Igreja”.
Se todos os que
já foram chamados por Deus tivessem respondido, o mundo já estaria
convertido, mas é preciso ter em conta:
a) os que não
nasceram...!
Que alegria e
que glória para essas famílias numerosas das quais Deus escolheu
tantas vocações seletas: Santa Teresinha (a nona), Santo Inácio (o
décimo primeiro), São Francisco Xavier (o décimo terceiro), Santa
Catarina de Sena (a vigésima quarta)...!
Sem prejulgar os
casos particulares... Que lástima se o Sr. Martim tivesse rejeitado
entregar a sua nona filha...! O mundo não teria agora a Santa
Teresinha de Lisieux...!
b) Os filhos únicos...
adorados... que não se encontram preparados para os sacrifícios... E
ainda, as famílias para as quais Deus não é Deus, não são terrenos
propícios para as vocações!
c) A monstruosidade de uma
educação na qual se faz abstração de Deus e de Jesus Cristo. O fato
foi comprovado tantas vezes... e proclamado ainda por aqueles mesmos
que tem propagado o ensino ateu, ou seja, o ensino que
voluntariamente prescinde de Deus, da sua revelação, da Divindade de
Jesus Cristo e dos nossos deveres para com Ele, etc. Não existe nada
melhor para acabar com as vocações dos homens (e ainda mais com as
das mulheres). (Jean Ousset em: “Para que Ele Reine”, 2ª parte: o
complô revolucionário).
d) Por fim... os que se
sentem chamados mas não querem responder.
Um sobre três
Homens que
conheciam o tema, como São João Bosco e Santo Afonso Maria de
Ligório, diziam: “em geral, de cada três meninos, tem ao menos uma
vocação”!
É mais ou menos
o que repete o magistério: “Deus chama a batalhões inumeráveis...”
Alguns erros sobre as vocações
* Certas pessoas
crêem que para ter vocação devem ter alguma inclinação... No
entanto, existem muitos que não têm inclinação e têm vocação... e há
outros que embora tenham o desejo, de maneira evidente estão longe
de ter vocação... não tem as disposições requeridas.
* Outros
imaginam que faz falta ter escutado algum dia, uma pequena voz
interior que lhes dizia: “vem...!”
* Alguns
esquecem que há vocações muito diversas. Já conheci um sacerdote que
não conseguiu, por falta de saúde, permanecer nos cartuchos e passou
ser um sacerdote diocesano muito santo, e logo foi um santo vigário,
santo pároco do campo, e que morreu por fim, pároco da catedral com
uma verdadeira fama de santidade.
* Existem
vocações que exigem uma saúde ou uma inteligência superior à média.
Por outro lado, há vocações que, ao mesmo tempo em que requerem um
grande amor de Deus, podem convir a uma pessoa com saúde delicada ou
ainda sem instrução (por exemplo: o humilde irmão porteiro que
depois chegou ser São Pascual Bailão).
CAPÍTULO II
A VOCAÇÃO É OBRIGATÓRIA
São Geraldo tinha razão!
Santo Afonso
Maria de Ligório acabava de abrir uma casa para favorecer as
vocações sacerdotais e de irmãos.
O jovem Geraldo
Majella escutou falar disso. Sem duvidar, abraçou seu pai e sua mãe
e se foi...
No caminho,
encontra um colega:
- “Aonde vais?”
- “Vou fazer-me
santo!”, respondeu o jovem.
E foi ali. E
graças a esta ação, Nossa Senhora lhe concedeu a graça de realizar
seu desejo de santidade.
E tu? ... Por
que não podes fazer como São Geraldo?
Si vis! Se tu
queres!
É obrigatório responder à sua vocação?
Não se pode
dizer: “quem por sua culpa for infiel à sua vocação se condenará
necessariamente”. Não! Isso é falso! Porque qualquer pecado que se
tenha cometido, por mais grave que seja, se nos humilhamos e pedimos
perdão a Deus, Ele nos perdoa e nos concede todos os meios
necessários para nos salvar.
No entanto, é verdade que um
homem que por sua culpa se põe fora do caminho que Deus o chama de
maneira certa e insistente (porque há chamados mais insistentes que
outros), este indivíduo se privaria de muitas graças e poria em
risco a sua salvação. Se São Francisco de Assis tivesse permanecido
como comerciante de gêneros ou se Santo Inácio tivesse continuado
como cavaleiro, poderíamos nos perguntar o que teria sido deles.
Quantas moças se
teriam santificado, teriam progredido no amor divino, teriam atraído
todo tipo de bênçãos sobre a terra, se tivessem tomado a Jesus por
Esposo... e, de outro modo, comprometidas com um marido onanista,
vicioso e inconstante, em meio de pecados de todo tipo, com
pouquíssimo auxílio religioso, tiveram um destino totalmente
diferente! Igualmente, quantos jovens teriam alcançado uma vida
fecunda em méritos para a glória de Deus... e, em troca, ligados
demasiado rápido com uma mulher superficial, egoísta ou obstinada,
se instalaram no pecado para ter paz no lar; triste paz que é o
prelúdio muitas vezes das terríveis contas que terão que dar ante o
Soberano Juiz!
Quantas vezes a eleição
generosa do mais alto serviço terá arrancado ao interessado da
mediocridade e, por isso mesmo, de muitas quedas!
Assim, pois, é
de primeiríssima importância se pôr esta pergunta:
Tenho vocação?
Há homens que
jamais tinham pensado nisto até que um dia, perguntando-se sobre a
vocação, levaram em diante uma vida totalmente diferente que os
conduziu à santidade. E melhor ainda, passaram a ser instrumentos de
salvação nas mãos de Deus para milhares e milhares de almas. (Um São
Paulo, um São Francisco Xavier, um Santo Afonso Maria de Ligório,
etc.).
Todo jovem católico deve se
fazer um dia esta pergunta de conseqüências incalculáveis. Os
Exercícios Espirituais, sobre tudo se os fazem seguindo estritamente
o método de Santo Inácio, são o melhor meio para resolver
racionalmente esta questão. Porque assim eles conseguem ter as
disposições necessárias:
a) para ver claramente e
b) para ter a coragem
necessária.
CAPÍTULO III
COMO DESCOBRIR A VOCAÇÃO
Tenho vocação?
É necessário ter
idéias claras sobre o tema. Se não, muitos chamados não
responderão... e as almas que teriam de salvar, talvez nunca o
serão.
Mas, como saber
se sou chamado?
Santo Inácio não põe a pergunta desta maneira
abstrata: Tenho Vocação?
Porque muitas
vezes, a gente não sabe bem até só depois... posto, que Deus tem o
direito de pedir a quem quer o sacrifício de Abraão (Deus pediu a
Abraão que lhe sacrificasse seu filho Isaac e no momento que o pai
ia lhe cravar a faca, um anjo o deteve. Deus se conformara com a
obediência). Assim: São Camilo entrou duas vezes nos Capuchinhos e
duas vezes teve de sair... Deus o reservava para fundar a Ordem dos
Camilos. São Benito José Labre entrou na Trapa... e saiu. E o senhor
Martim, o futuro pai de Santa Teresinha, acaso não foi chamar à
porta do mosteiro de São Bernardo solicitando sua admissão? Foi
rejeitado. Deus tinha outros propósitos para ele. Mas seu ato de
generosidade perdurou.
Muitos jovens
entraram no Seminário maior ou no convento (não falamos dos
covardes) e saíram logo, legitimamente. Não somente não devem ter
vergonha, senão que no dia do juízo se maravilharão pela recompensa
extraordinária e eterna que receberão então por haver tido em uma
época da sua juventude este gesto de deixar tudo por Cristo, gesto
com o qual o Mestre se contentou...
Deus quis que em
toda vocação existisse algum risco. Também existe risco em qualquer
matrimônio... em todo alistamento de um marinheiro ou de um
soldado...! Por que não arriscar algo por Cristo? Em todo caso,
saibam que este risco terá sempre sua recompensa.
Assim, pois,
Santo Inácio não faz a pergunta desta forma: Tenho vocação?... Ele
a formula duma maneira mais concreta:
“O que eu devo fazer, hoje?”
O problema
colocado assim é muito mais fácil de resolver.
Um homem de boa
vontade, que reflete um pouco, chega com bastante facilidade a saber
o que Deus quer que faça... pelo menos no momento.
Porque esta pergunta – O que
devo fazer hoje? - se ilustra com princípios teológicos e
acontecimentos providenciais que nos mostram esta vontade de Deus,
que devemos sempre querer seguir.
Às vezes, a
vontade de Deus se manifesta de repente, muito claramente. Outras
vezes, os caminhos da Providência se mostrarão progressivamente.
Deus exige nossa boa vontade... nossa busca. O que está em jogo vale
bem a pena... ! Escutemos o Magistério da Igreja ao qual já temos
feito referência:
“Na maioria das
vezes, na realidade a vocação de abraçar a vida sacerdotal não se
revela por si mesma, diretamente, senão que tem de ser detectada
como se fosse a pérola evangélica escondida no campo. Deus, que de
fato se reserva o chamamento daqueles que escolhe, pede a
colaboração dos ministros sagrados para que os jovens tomem
consciência da ação que desenvolve a graça celestial e para que
levem à maturidade a semente divina depositada nas suas almas...”
“Não sois vós... sou Eu quem vos escolhi...!”
Portanto, a
vocação vem de Deus. Ela não vem de nós. A palavra “vocação” vem do
latim “vocare”: chamar. É Deus quem chama.
Não poucas
vezes, até mesmo em uma família cristã, se provoca uma deformação
precoce frente ao menino a quem se faz esta pergunta:
“Filho, que
queres ser quando cresceres?”
Se o menino viu
nos dias anteriores um bispo, um oficial aviador ou um agente da
polícia, responderá: “quero ser bispo, aviador... agente da
polícia... etc.”
Santo Inácio, no
preâmbulo à consideração dos estados de vida (Exercícios espirituais
nº 135), diz ao exercitante:
"Começaremos
agora, ao mesmo tempo em que contemplamos a sua vida (a de Nosso
Senhor), a procurar e a perguntar-lhe em que estado ou gênero de
vida quer sua divina Majestade servir-se de nós”.
A perspectiva
muda totalmente. Não nos corresponde escolher em primeiro lugar, mas
a Deus. Não podemos esquecer-nos disto.
O Magistério da
Igreja o confirma assim:
“Esta vocação
depende totalmente de uma decisão misteriosa de Deus, seguindo a
palavra mesma do Redentor: “Não fostes vós que me escolhestes, mas
Eu vos escolhi...” (São João XV,16)”.
Não se trata então de saber se isto me agrada
ou não, senão de saber se Deus me chama...
Trata-se de
buscar “onde quer sua divina Majestade servir-se de mim” durante
minha breve peregrinação terrestre, cujo fim é “louvar, reverenciar
e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a minha alma” (nº 23).
Temos aqui uma
luz que nos ajudará a ver a vontade de Deus sobre nós.
Tratar-se-á,
pois, de “escolher”, diz Santo Inácio, “o que mais nos conduz ao fim
para que somos criados”. A questão se esclarece... Continuemos:
Si vis...! (Se queres...!)
“Mas Deus pede
ao homem que responda ao seu convite pelo livre assentimento da sua
vontade (continua ensinando-nos a Igreja); em outras palavras, a
vocação divina exige que o homem escute...”
Sem dúvida, será
necessário “proporcionar aos fiéis, às almas dos jovens em
particular, os elementos subsidiários pelos quais estas almas possam
escutar a palavra divina e saibam responder a Deus...
Em tudo isto,
será necessário respeitar a ação de Deus e a liberdade dos
candidatos”.
No Capítulo XIX
de São Mateus, vemos Nosso Senhor dar-nos uma aula magistral sobre
esta questão:
Se queres... vem... segue-me.
Um jovem se
aproxima de Jesus:
“Bom Mestre, que
devo fazer, para alcançar a vida eterna?”
“Se queres
entrar na vida eterna observa os mandamentos, etc.”
E o jovem lhe
disse:
“Todo isto o
observo desde a minha infância”.
Jesus o mira
e... o ama, observa São Marcos.
O jovem tem
aptidão. O Senhor acaba de vê-lo na sua resposta. Assim lhe faz o
convite:
Si vis...! Já
não tem mais nada que querer...
“Se queres ser
perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro
no céu. Depois, vem e segue-me!” Se queres...!
Deus respeita a
liberdade: Se queres!
Ai! Este jovem
foi-se muito triste, em vez de responder ao convite.
A reflexão que
faz Nosso Senhor então, faz ainda duvidar da salvação do rapaz...
Por isto:
Temos já dois
elementos a respeito da vocação:
1. O chamado de
Deus: que tem de ser dirigido pelo Bispo ou pelo superior
eclesiástico responsável, encarregado de admitir em nome da Igreja
ao estado de perfeição, e...
2. A vontade
livre do candidato: “SI VIS”... Se queres... Ficam por
estudar agora os outros elementos. Estes permitirão aos superiores
pronunciar o convite, e ao candidato responder, apresentar-se...
deixá-lo tudo para entregar-se totalmente a Deus neste ou naquele
estado de vida de perfeição ou “vocação”.
Nossa Senhora do
Bom Conselho, ajudai-me a ver com clareza!
São José,
Padroeiro e Guarda das vocações, dignai-vos vir na minha ajuda!
MAS COMO SABER SE SOU CHAMADO?
Fala Senhor que
teu servo escuta...!
Para sabê-lo, em
primeiro lugar é preciso rezar.
Uma vocação
exige muitas orações:
a)
para ver claramente;
b) para se por na
“disponibilidade”.
Dizei com São
Paulo: “Senhor, que queres que eu faça...?”, ou com o jovem Samuel:
“Fala, Senhor, que o teu servo escuta”, invocai a Nossa Senhora do
Bom Conselho, rezai a São José, padroeiro das vocações, ao vosso
anjo da guarda, ao vosso padroeiro de batismo, etc...
Fazei os
Exercícios Espirituais de Santo Inácio.
...Os Exercícios Espirituais
O Magistério da
Igreja no documento que mencionamos não fala explicitamente dos
Exercícios Espirituais, mas pede sim favorecer as condições que
ajudarão e disporão o adolescente a escutar a palavra de Deus. Agora
bem, as condições enumeradas se encontram reunidas, de fato e
principalmente, no transcurso dos Exercícios Espirituais:
“Em primeiro
lugar, o silêncio interior..., porque seu pensamento (destes jovens)
tem passado por uma multidão considerável de inquietações
exteriores, muitas vezes vãs e vazias, e outras muitas ainda que são
más e perniciosas, e que os impede conceber e meditar a idéia da
vida perfeita, o valor e a beleza desta vida... Serão muito
proveitosos momentos de silêncio, de recolhimento... a meditação das
realidades eternas, a ação de graças depois da Missa; principalmente
graças a isto se unem com Deus e Deus mesmo lhes revela
paulatinamente as suas vontades misteriosas; e... desse modo os
adolescentes entendem melhor se são chamados ao sacerdócio ou qual é
o papel que Deus lhes confia”.
CAPÍTULO IV
ALGUNS SINAIS DA VOCAÇÃO
Quais são os elementos subsidiários dos quais
se fala, e que ajudarão a ver claramente...?
Eis aqui cinco.
Estes demonstrarão ao jovem se tem direito...e talvez o dever de
dizer: “Aqui estou Senhor!”
São cinco sinais
que dão a um candidato chamado a um estado de perfeição a certeza de
que pode avançar com segurança de consciência:
1. Compreender que em tal
vocação servirei melhor ao Senhor, me santificarei melhor...
trabalharei melhor pela minha salvação e a salvação das almas,
glorificarei melhor a Deus aqui na terra e no Céu.
Falando daqueles
que permanecem virgens para o reino dos céus, Nosso Senhor nos diz
que isto não se pode compreender sem uma graça especial: “Nem todos
são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente
aqueles a quem foi dado” (São Mateus XIX, 11). Não se trata de saber
que em teoria a vocação religiosa é mais elevada que o caminho
comum; mas se trata de saber se eu, com as minhas qualidades
concretas, servirei melhor ao Senhor em tal estado. Assim, pois, se
o compreendo, já tenho uma primeira indicação divina.
2. Ter as disposições
requeridas.
Na 15ª anotação,
Santo Inácio nos diz que “fora do tempo dos Exercícios, podemos,
lícita e meritoriamente, mover todas as pessoas, que mostrem com
probabilidade as disposições necessárias a escolher a continência, a
virgindade, o estado religioso e qualquer outra forma de perfeição
evangélica”.
Aqui temos um
elemento indicador muito precioso. Se alguém não tem as disposições
requeridas, normalmente (salvo um milagre) se pode concluir que Deus
não o chama... Mas, atenção! Deus o pode chamar talvez a outra
vocação. Mas normalmente não àquela à qual não tem as disposições
requeridas.
(Exemplos de
disposições requeridas: um mínimo de inteligência, se é preciso
realizar estudos; um mínimo de saúde, se faz falta sair a missionar,
etc.; e para toda vocação, ter sentido comum).
3. Não devem existir
contra-indicações.
Sabe-se que em
medicina existe o que se chama “contra-indicação”, por exemplo: quem
está enfermo do coração, não pode fazer o trabalho de aviador ou de
estivador, etc.; se tem o fígado enfermo, não pode comer demasiado
chocolate; se tem uma má visão, não pode empregar-se nas ferrovias,
etc.
De igual maneira
há “contra-indicações” para uma vocação. Algumas são de direito
natural, outras são impostas pelo Direito Canônico. Por exemplo: um
jovem, único apoio de uma família pobre; ou um homem que tem dívidas
ou pleitos judiciais não pode entrar no noviciado sem ter
solucionado estes problemas. Um filho ilegítimo não pode ser
sacerdote. A mesma conseqüência se aplica para quem padece certas
enfermidades, certas doenças hereditárias, ou tenha incorrido em
certas faltas públicas, pelo menos para certas vocações. De igual
maneira, ter adquirido certos maus costumes dos quais o jovem não
conseguiria corrigir-se, etc.
Há neste ponto
razões de eliminação importantes e que podem iluminar acerca da
existência ou da ausência de uma vocação.
4. É necessário, se nos
entregamos a Deus, aceitar a renúncia que a prática dos conselhos
evangélicos exige.
“É melhor não
fazer um voto, diz o Eclesiástico (V, 4), que fazê-lo e não
cumpri-lo”. Alguém que não queira, por exemplo, observar a
castidade, a pobreza ou a obediência, não deve comprometer-se na
vida religiosa. Um homem que peca habitualmente contra a castidade,
não deveria avançar sem ter-se corrigido deste mau costume: “Uma
longa castidade, diz São Bernardo, é uma segunda virgindade”.
5. Finalmente, é preciso
encontrar um Bispo ou una Congregação que o aceite.
Temos aqui o
sinal oficial do convite de Deus. Se não encontrais nenhum Bispo nem
Congregação que vos aceite, permanecei em paz. É sinal que Deus não
vos chama.
No entanto,
atenção! Não julguemos rápido demais ou sem a reflexão necessária.
Pode não convirá uma pessoa tal Congregação, mas fazer-lhe muito bem
outra. Do mesmo modo, quem julga de uma só olhada que um menino não
tem vocação pode errar. É lícito insistir e ver em outro lugar.
Principalmente caso se comprovem em uma pessoa os quatro sinais
precedentes.
Conta-se o seguinte exemplo:
em um Seminário se despediu a um seminarista por uma banalidade.
O pároco, conhecendo o menino, o enviou a uma escola
apostólica onde o jovem fez grandes progressos, passou ao Seminário
Maior, se formou em teologia, e foi ordenado sacerdote. Depois foi
prelado encarregado de altas funções e um bom dia Cardeal. Segundo o
costume, a diocese de origem, honrada em ter a um dos sus filhos
revestido da púrpura cardinalícia, lhe fez una grande festa na
Catedral. Seguiu um banquete que teve lugar no Seminário Menor. No
final da comida, o novo Cardeal perguntou ao Diretor: “O senhor
poderia trazer-me o livro de registro das entradas?”, e leu em um
ano no qual ninguém pensava mais: “Pizzardo, despedido por falta de
vocação”. O Cardeal tomou una caneta e escreveu com humor: “E oggi,
Cardinale della Santa Chiesa” (e hoje, Cardeal da Santa Igreja).
Tratava-se de Sua Eminência o Cardeal Pizzardo, hoje em dia à frente
de todos os Seminários e Universidades do Mundo!
(Nota: na época quando se
escreveu este livro e antes da impressão no seu idioma original
(novembro de 1977)).
Assim, pois, não devemos
julgar rápido demais. Podemos nos enganar!
O Direito
Canônico reduz a quatro os sinais de vocação:
1. a intenção
reta,
2. o chamado do
Bispo,
3. as qualidades
necessárias,
4. a ausência de
irregularidades ou de impedimentos.
Se alguém cumpre
com estas quatro condições, pode se entregar sem temor de errar?
Sim!, mesmo se
não tem vontade. (Evidentemente, se tem uma repugnância invencível
ou tratando-se de una aceitação forçada pela pressão do pai o de uma
madrinha, então seria diferente: neste caso o interessado não
cumpriria as condições necessárias).
O sábio teólogo
Noldin diz: “qualquer pessoa que tem a idoneidade e a intenção reta
e aspira ao sacerdócio, pode apresentar-se ao Bispo”.
É ainda a mesma
doutrina que achamos no Magistério da Igreja.
Ensino do Magistério
A Igreja, ao
falar sobre a formação dos sacerdotes, defendeu os mesmos
princípios:
“É a toda a
comunidade cristã que lhe incumbe o dever de suscitar as vocações...
Os
professores... devem esforçar-se em fazer florescer nos jovens que
lhes são confiados a vocação, de tal maneira que eles possam escutar
o chamado de Deus e responder voluntariamente...
Esta atividade convergente
de todo o povo de Deus a favor das vocações responde à ação da
divina Providência, que concede os dons necessários aos homens
eleitos por Deus para participar no sacerdócio hierárquico de Cristo
e que impõe a carga aos ministros legítimos da Igreja de chamar e de
consagrar, pelo selo do Espírito Santo, ao culto de Deus e ao
serviço da Igreja, os candidatos que deram provas da sua capacidade
e que com toda a liberdade e reta intenção, pedem exercer tão
elevada missão”.
CAPITULO V
A VOCAÇÃO NÃO DEIXA DE SER LIVRE
Jovem, se queres!
Eis aqui um
jovem qualquer, vivo, inteligente. Ele se casaria, com boa vontade.
Várias moças andam a sua volta, não teria mais que dar um sinal.
Mas,
impressionado pela falta de operários evangélicos, pelo grande
número de almas que se perdem pela falta de apóstolos, entrevê todas
as conseqüências que teria para a salvação do mundo a sua renuncia
às lícitas alegrias do matrimônio... se consagrasse toda a sua vida
ao serviço de Deus. Vê as conseqüências desta entrega de si em um
Francisco Xavier, em um João Bosco, em um Vicente de Paula, em um
João Maria Vianney. E se diz: “e por que não eu?”
Ele tem os cinco
sinais ou condições indicadas mais acima:
1. Compreende a eficácia que
teria o seu sacrifício para o serviço de Deus e da Igreja. As
numerosas famílias transformadas! E como ele mesmo se santificaria
melhor!
2. Tem as disposições
necessárias!
3. Se ele se entrega a Deus
está decidido, com a graça de Deus, a cumprir com as obrigações que
correspondam.
4. Não há
“contra-indicações”.
5. Encontrará facilmente um
Bispo o uma Congregação que o aceitará.
Este jovem pode
se dizer: “Deus me chama? Entrego a Ele a minha vida? Dou-me ao seu
serviço?”
Sem nenhuma
dúvida! Este jovem pode considerar como ditas a ele mesmos estas
palavras do Divino Mestre: “Si vis! Se queres, vai, vende todos os
teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e
segue-me!”
“Nenhum motivo -
diz Santo Inácio – deve determinar-me a escolher ou rejeitar tais
meios, senão o serviço e louvor de Deus nosso Senhor e a salvação
eterna da minha alma” (n. 169).
Santo Tomás
(leia todo o artigo 10 da questão 189, II-IIae da Suma
Teológica) nos diz que são precisas mais razões para não se tornar
religioso que para tornar-se religioso. E ele repete várias vezes no
mesmo artigo: “Sobre tudo, não vades buscar conselho com aqueles que
vos impedirão” e cita estas palavras de São Jerônimo “Dai-vos
pressa, vos rogo, e se duvidais encontrando-se amarrado no meio do
barco, rompe a corda antes que perder o tempo de desatá-la”.
Assim, uma vez
resolvida a questão da vocação diante de Deus, cessai de ir
consultar aqui e ali e de duvidar... Este é um meio clássico que
utiliza o demônio para enrolar e desalentar a um grande número de
jovens.
Os padres não
têm direito de impedir a um filho de entregar-se a Deus, nem sequer
de impor um tempo de espera demasiado longo (por exemplo, a esperar
a maioria de idade, ou ter concluído os seus estudos, ou ter uma
posição econômica...). Isto é um abuso do qual terão que prestar
contas a Deus. O jovem que pediu a Cristo poder enterrar o seu pai e
a sua mão antes de responder ao chamado de Nosso Senhor não voltou
(São Mateus VIII). Observemos que a lei francesa autoriza o menor de
18 anos a escolher a sua vocação.
Que o jovem não
faça a Deus esperar. Da sua parte, quando a questão estiver clara,
que se entregue generosamente a Cristo e passe à sua realização em
quanto puder. Não se deixa a Nosso Senhor esperar.
Desse modo, jovem... decida-se!
Santo Inácio se
pergunta (n. 185, 187):
- A um jovem que
estivesse na sua mesma condição, o que lhe aconselharia fazer para a
maior glória de Deus e a maior perfeição da sua alma?
- No dia da sua
morte, o que queria ter escolhido hoje?
- Os seus
argumentos, quaisquer que sejam, o que valem diante de Deus?
Não duvide mais.
Obre em conseqüência. Si vis! Medite sobre a graça... medite
a honra que lhe é feita. “Não fostes vós que me escolhestes, mas Eu
que vos escolhi e vos destinei para que vades e deis fruto, e para
que o vosso fruto permaneça” (São João XV,16).
CAPITULO VI
RESPOSTAS A ALGUMAS OBJEÇÕES
Resposta às objeções
1º. Mas se é assim, todo
o mundo deveria entregar-se a Deus? Seria o fim do mundo!
O santo padre
Berthier respondia:
- Seria o mais
belo fim do mundo!
Mas
tranqüilize-se, está o “Si vis!” (se queres) e muitos não
querem... e, além disso, os cinco sinais que falamos eliminam a
muitos...
Por outro lado,
já que a nossa peregrinação terrestre nos foi dada como meio para
amar e servir a Deus livremente aqui na terra e merecer fruir dEle
em um êxtase de contemplação e de amor, devemos eleger tudo o que
nos ajude o máximo possível a isso. É Deus quem nos convida.
2º. Tenho uma inclinação
à paixão carnal, isso não é um obstáculo à vocação?
-Não (exceto um
temperamento excepcionalmente corrupto). Santo Afonso se irritava
quando se objetava, contra a vocação, a concupiscência da carne.
- Por acaso não
credes - dizia – que não vos tentará no matrimônio? Terás ali mais
ocasiões de pecados internos e externos... Na vida religiosa tereis
muito menos ocasiões de pecado, muito mais auxílios. Seria um pecado
contra a esperança crer que com todos estes auxílios que dá a regra,
não se pudesse resistir aos demônios.
De fato... - e
isso não se sabe o suficiente – é relativamente fácil guardar a
castidade na religião!
Quem observa a
modéstia dos olhos e dos demais sentidos...
Quem tem em
conta a regra para as relações com o mundo exterior...
Quem foge das
ocasiões de pecado...
Quem reza, se
confia a Maria Santíssima, pratica um pouco de mortificação, abre-se
filialmente ao seu diretor de consciência sobre as suias faltas e
tentações, passa ao contra-ataque (oração e penitência) quando o
tentador se aproxima...
Esta pessoa
facilmente praticará a castidade perfeita. É uma das graças e das
mais puras alegrias da vida religiosa.
3º. Não conheço todas as
Congregações para poder eleger...
Não é necessário
conhecer todas para poder se decidir, do mesmo modo como não é
preciso conhecer todas as mulheres do mundo antes de se casar; ou
provar todos os sapatos de Paris antes de se decidir a comprar um
par.
Deus nos leva...
Se Ele nos chama lhe fará conhecer a Congregação na qual lhe quer...
ou se quer vê-lo no clero diocesano.
Em si mesmo,
todas as Congregações aprovadas pela Igreja poder levar à perfeição
religiosa. No entanto, pode-se escolher aquela que responde melhor
às suas aspirações ou fraquezas, ou que entendemos que tenha uma
necessidade maior.
Santo Afonso
recomenda acima de tudo a não eleger uma comunidade relaxada ou
contaminada por má doutrina.
4º. O que devemos pensar
de quem estivesse em uma Congregação sem ter a vocação?
Santo Inácio
responde: “se alguém não fez uma eleição a uma Congregação com votos
definitivos como devia - por exemplo, para agradar a madrinha ou
para ter uma boa posição – deve, arrependido, procurar viver bem a
sua eleição” (n. 172). Deus o ajudará.
E quem ainda tem dúvidas da sua vocação?
Sobre quem
entrou em um estado de vida aprovado pela Igreja com intenção reta
e com o chamado legítimo dos superiores, não está fora do seu
caminho... “O demônio é um mentiroso” (São João VIII, 44). Quem está
nesta situação não deve se preocupar nem mudar de vida. Que despreze
estas tentações. Não nos enganamos entregando-nos a Deus. Se o
inimigo trata outra vez de trazê-lo a sentimentos de um egoísmo
estreito, que o eleito do Senhor rejeite o demônio renovando com
todo o coração a sua consagração total ao Imaculado Coração de Maria
e o auxílio de São José, terror dos demônios. Que continue sem
discutir no cumprimento fiel dos seus deveres de estado. E o demônio
fugirá.
Se a oração é o
grande meio de conhecer a sua vocação e de responder a ela, é também
o grande meio para perseverar. “Quem reza se salva, e quem não reza
se condena”, escrevia Santo Afonso. E agregava: “e todos os
condenados estão no inferno porque deixaram de rezar e não estariam
ali se não tivessem deixado de o fazer”. E São Bernardo exclamava
ante os ataques do demônio: “Ratio spei meae Maria” (“Toda a minha
razão de esperar é Maria”). Como a Mão da Igreja, a Rainha dos
Apóstolos poderia abandonar os “consagrados” que a invocam? “Na
tempestade, olhe a Estrela, invoque a Maria”, repetia São Bernardo.
A perseverança
de um consagrado é muito mais fácil na medida que se ponham os
meios.
“Eu sei em quem confiei!” (II Tim. I, 12)
Deus não
abandona nunca aqueles que confiaram nEle.
“Non deserit
nisi deseratur”, diz Santo Agostinho (não nos abandona, a não ser
que O abandonemos).
“O temor
daqueles que tremem por não poder chegar à perfeição com o seu
ingresso na vida religiosa não é sensato”, diz Santo Tomás. E cita
as palavras de Santo Agostinho: “Por que vacilais? Lançai-vos nEle.
Não temais. Ele não vai se afastar de vós para vos deixar cair.
Lançai-vos nEle com toda a segurança. Ele vos recebirá e vos
guardará” (Confissões VIII).
CAPITULO VII
A SANTÍSSIMA VIRGEM E A VOCAÇÃO
Maria cuida dos seminaristas
A mão sobre a maçaneta
Um jovem
seminarista de 13 ou 14 anos, em um momento de ira, bate a porte da
sua sala, sai e desce a escada. Está com a mão na maçaneta da porta
de saída. Está dá à rua.
É uma velha
maçaneta octogonal, de cobre cinzelado, fixada ao seu eixo por um
prego torcido...
Momento
decisivo, porque se passa a porta não voltará mais... toda uma
vocação está em jogo. Uma voz forte grita no fundo do seu coração:
- Se passa esta
porta, as almas que deveria salvar não o serão mais!
O jovem
vacila... Vê o que está em jogo tão tragicamente pela sua ira... A
voz se torna mais forte...
- Se passa esta
porta!
Deixa a maçaneta
e volta atrás. Maria acaba de evitar uma catástrofe...
Algum tempo
depois, velho missionário de 80 anos, tremerá pensando que por este
movimento de raiva de menino, o demônio teria podido impedir
centenas e milhares de conversões... e provocar numerosas
condemações...
Rezemos pelos
seminaristas!
Graças a Deus,
Maria velava nessa oportunidade!
Um seminarista desanimado!
Já estudante
dominicano... com uma memória rebelde... pensa (na realidade era o
demônio quem lhe falava): “jamais chegarás a fazer os teus estudos.
Sem memória é impossível... Vá embora...”
O convento
estava rodeado com muralhas altas e a porta se encontrava fechada.
Uma noite, depois da hora de apagar as luzes, o jovem toma uma
escada para pular o muro e sair. Ao subir a escada e chegar ao muro,
vê nele uma bela e grande Senhora rodeada de santos.
- “Por que
queres ir embora?”
- “ Não tenho
memória e sou incapaz de fazer os estudos seriamente”.
- “Volte! A
partir de hoje terás uma boa memória. Serás sábio e fará muito bem.
Mas para que saibas que sou eu quem obtive esta graça do meu Filho,
um dia, na tua velhice, no meio de um sermão, perderás de repente
essa memória. Então contarás a graça que te obtive e já não te
restará mais que preparar-te para morrer”.
O jovem obedeceu. E chegou a ser o
grande Santo Alberto Magno, professor na Sorbona de Paris, professor
de Santo Tomás de Aquino, do qual anunciou o papel que cumpriria.
Foi Bispo de Ratisbona, onde fez um bem imenso. E já idoso, no meio
de um sermão, perdeu de repente a memória e contou então a
graça que Nossa Senhora lhe havia alcançado.
Confiemos os
nossos seminaristas à Santíssima Virgem.
Que Maria vele
sobre eles!
CAPITULO VIII
A FAMÍLIA E A VOCAÇÃO
“Quando Deus vos fizer um dia a honra de vos pedir um dos vossos
filhos para o seu serviço, sabei apreciar esta honra e privilegio de
graça tão grande, para o vosso filho, para vós, e para a vossa
família.” (S.S. Pio XII)
“O maior dom que
Deus pode fazer a uma família é um filho sacerdote.” (São João
Bosco)
Recordando a
festa da Apresentação da Virgem Maria no Templo, com a idade de
três anos e meio... meditemos as seguintes verdades: “Os meninos são
de Deus antes de pertencer aos seus pais... qualquer filho pode
dizer o que o mesmo Jesus responde à sua Mãe: “Não sabias que Eu
devo ocupar-me dos interesses do meu Pai que está nos céus ?”
“O idoso casal
de Santa Ana e São Joaquim terá que viver sozinho na casa de Nazaré,
cada dia mais vazia y triste. Ambos terão sem embargo algo que não
disminui: a santidade dos corações, a santidade de um casamento... E
com isto uma grande paz que lhes permite dizer a cada um: Sofro...
mas cumpri com o meu dever de amor a Deus. Uma consciência reta vos
dá una morte serena, e as orações dos santos vos alcança tal
morte...”
Dizei-lo ao
vosso pai e à vossa mãe:
“Se alguém deixa
sua casa, seu pai, sua mãe... ou a seus filhos por meu nome,
receberá o cêntuplo e a vida eterna” (São Mateus XIX, 29).
Necessita-se com
urgência, para defender a Igreja e a Pátria, uns João Bosco, uns
Francisco Xavier, uns Vicente de Paula... e também umas Joana d'Arc,
umas Terezinha do Menino Jesus, etc... Não o duvideis!
P.
Luis Maria Barrielle
Diretor Espiritual do Seminário de Ecône
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APÊNDICE
Queridos fiéis:
Nós lançamos uma
Cruzada de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Conto a
vossa participação.
Por que esta
Cruzada?
A Igreja perde
cada ano milhões de sacerdotes. Na Tradição, mesmo se
proporcionalmente temos mais vocações do que na Igreja conciliar,
somos ainda demasiado poucos; é possível comprovar, nossos
sacerdotes são pedidos no mundo inteiro.
Por que os
sacerdotes são necessários?
A nossa
sociedade está em plena decadência (violência, seitas, pornografia,
suicídio, aids); o pecado mortal é estimulado, vulgarizado,
legalizado (aborto, divórcio, concubinato, rapidamente a eutanásia).
Por que? Porque
os homens já não conhecem a Deus nem a moral católica, ou não a
conhecem mais que desfigurada e disfarçada de um vago humanismo.
Sem o estado de
graça, sem os Sacramentos, sem a Santa Missa, poderia ser de outro
modo?
Então, o que
fazer?
Somente Deus
pode tirar a sociedade, e por isso mesmo as vossas famílias, desta
situação. É um combate espiritual que cada um de nós pode levar a
cabo, seja ao nível individual, seja ao nível familiar:
1) santificando-se
pessoalmente
2) pedindo a Deus que queira
suscitar numerosas boas vocações; os sacerdotes são os
intermediários entre Deus e os homens; os religiosos e religiosas
são os pára-raios que protegem e santificam uma sociedade.
Em que consiste
esta Cruzada?
Se desejam
participar nela, comprometam-se a rezar cada dia durante um ano,
pelo menos:
* una dezena do Terço por
esta intenção (pode ser una dezena do Terço diário)
* juntem ao final das
orações da manhã e da noite as invocações:
“Senhor, dai-nos
sacerdotes”
“Senhor, dai-nos
santos sacerdotes”
“Senhor, dai-nos
muitos santos sacerdotes”
“Senhor, dai-nos
muitas santas vocações religiosas”
“São Pio X,
rogai por nós”
Este compromisso
não obriga sob pena de pecado.
Queridos fiéis,
espero a vossa participação massiva nesta Cruzada. Estou convencido
de que, se este esforço se mantém, o número de entradas nos nossos
Seminários e Noviciados provará rapidamente que Deus vos escutou.
In Christo et Maria.
Rickenbach,16 de junho de 1992
Franz Schmidberger
Superior General
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