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Na adoração do Menino Deus que acaba de
nascer, unem-se o Céu e a Terra: cantos extasiados dos anjos, silêncio
dos pastores, êxtase terno e humilde de Maria e de José.
Explicação
Nesta santa noite de Natal, a Igreja celebra
o nascimento humano de Jesus, Filho de Deus, Salvador do mundo, em Belém.
Gerado desde toda a eternidade pelo Pai, o Verbo assumiu a nossa natureza
humana no seio da Virgem Maria, que lhe transmitiu, realmente, a sua
carne. Nasce num presépio. Ele, que vem partilhar da nossa vida humana, é
Filho de Deus antes de o ser de Maria e agora fica a ser, rigorosamente,
uma e outra coisa. A missa da noite sublinha este duplo aspecto de
grandeza divina e humilde humanidade que constitui a própria essência do
mistério natalício.
Novena de Natal - 16 a 24
de dezembro
de Santo Afonso Maria de Ligório
1º Dia - 16 de
dezembro
Cântico: Puer Natus (em anexo no
final)
Deus
nos deu seu Filho Unigênito por Salvador
Eu te constitui em luz para os gentios,
para que minha salvação chegue até os
confins da terra.
(Is. 49, 6)
Consideremos como o Pai eterno disse ao Menino Jesus no instante de sua
concepção estas palavras: Filho, eu te dei ao mundo como luz e vida das
gentes, para que busques sua salvação, que estimo tanto como se fosse a
minha. É necessário, pois, que te empenhes completamente em benefício dos
homens. "Dado completamente aos
homens, e inteiramente entregue a suas necessidades". É
necessário que ao nascer padeças extrema pobreza, para que o homem se
enriqueça; é necessário que sejas vendido como escravo, para que o homem
seja livre; é necessário que, como escravo, sejas açoitado e crucificado,
para pagar à minha justiça a pena devida pelos homens; é necessário que
sacrifiques sangue e vida, para livrar o homem da morte eterna. Fica
sabendo, enfim, que já não és teu, mas do homem. Pois um filho lhes
nasceu, e um menino lhes foi dado. Assim amado Filho meu, o homem voltará
a amar-me, a ser meu, vendo que te dou inteiramente a ele, meu Filho
Unigênito, e que já não me resta mais o que lhe possa dar.
Assim
amou Deus - oh, amor infinito, digno somente de um Deus infinito - assim
amou Deus o mundo de tal forma, que lhe entregou seu Filho Unigênito. O
Menino Jesus não se entristeceu com esta proposta, mas, ao contrário,
comprouve-se nela e a aceitou com amor e alegria: "como
um esposo procedente de seu tálamo, exultou como gigante a percorrer seu
caminho" (Salmo 18,6). E desde o primeiro momento de sua
encarnação se entregou por completo ao homem e abraçou com gosto todas as
dores e ignomínias que havia de sofrer na terra por amor dos homens.
Esses foram, segundo São Bernardo, as colinas e vales que com tanta
pressa devia atravessar Jesus Cristo, segundo o Cântico dos Cânticos,
para salvar os homens. Ei-lo que vem saltando pelas montanhas, brincando
pelas colinas.
Reflitamos aqui como o Pai, enviando-nos seu Filho para ser nosso
Redentor e para selar a paz entre Ele e os homens, obrigou-se de certo
modo a perdoar-nos e a amar-nos, em razão do pacto que fez de receber-nos
em sua graça, posto que o Filho satisfaz por nós a justiça divina. Por
sua vez, o Verbo divino, tendo aceito a missão que lhe foi dada pelo Pai,
o qual, enviando-o para redimir-nos no-lo deu, obrigou-se também a
amar-nos, não por nossos méritos, mas para cumprir a piedosa vontade de
seu Pai.
†
Reza-se o Terço e a
Ladainha de
Nossa Senhora
Oração
Amado
Jesus, se é verdade, como diz a lei, que o domínio se adquire com a
doação, Vós sois nosso, por vos ter vosso Pai entregue a nós. Por isso
podemos com razão exclamar: Deus meu e meu tudo. E já que sois nosso,
nossas são vossas coisas, como nos afirma o Apóstolo: "Como
não nos dará, juntamente com seu Filho todas as coisas?"
Nosso é vosso sangue, nossos vossos méritos, nossa a vossa graça, nosso
vosso paraíso. E se sois nosso, quem jamais poderá separar-nos de Vós?
Ninguém poderá tirar-me Deus, exclamava jubiloso Santo Antônio Abade.
Assim queremos exclamar daqui em diante. Apenas por nossas culpas podemos
perder-vos e separar-nos de Vós, mas, Jesus, se no passado vos deixamos e
perdemos, agora nos arrependemos com toda a alma e nos resolvemos a
perder tudo, mesmo a vida, antes que vos perder, bem infinito e único
amor de nossas almas.
Damos-vos graças, Pai eterno, por nos terdes dado vosso Filho, e em
troca de o terdes dado por completo a nós, entregamo-nos inteiramente a
Vós. Por amor desse mesmo Filho, aceitai-nos e apertai-nos com laços de
amor a nosso Redentor, de modo que possamos exclamar: "Quem
nos apartará do amor de Cristo?".
Salvador nosso, já que sois todo nosso, tomai-nos todos para Vós;
disponde de nós e de nossas coisas como vos agrade. Como poderemos negar
alguma coisa ao Deus que não nos negou nada, nem seu sangue nem sua vida
?
Maria, nossa Mãe, guardai-nos com vossa proteção. Não queremos
pertencer-nos mais, mas inteiramente a Nosso Senhor. Lembrai-vos de
fazer-nos fiéis. Em vós confiamos.
Cântico: Adeste, Fideles
2º Dia - 17 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus
(em anexo no final)
Aflição do coração de Jesus no seio de Maria
Hóstias e oblações não quisestes,
mas formastes-me um corpo.
(Hebr. 10,5)
Considera a grande amargura com que devia sentir-se afligido e oprimido o
coração do Menino Jesus no seio de Maria, naquele primeiro instante em
que o Pai lhe propôs a série de desprezos, trabalhos e agonias que havia
de sofrer em sua vida para libertar os homens de suas misérias:
"Pela manhã chama a meus ouvidos..., não retrocedi..., entreguei meu
corpo aos que me feriam" (Is. 50, 4-6). Assim falou Jesus
pela boca do Profeta: "Pela manhã...",
quer dizer, desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez
compreender sua vontade: que eu tivesse uma vida de sofrimento e fosse,
finalmente, sacrificado na cruz; "não
retrocedi; entreguei meu corpo aos que me feriam". E tudo
aceitei pela salvação das almas e, desde então, entreguei meu corpo aos
açoites, aos cravos, e à morte.
Pondera então quanto padeceu Jesus Cristo em sua vida e em sua paixão;
tudo lhe foi posto ante os olhos desde o seio de sua Mãe e tudo Ele
abraçou com amor; mas, ao consentir nessa aceitação e vencer a natural
repugnância dos sentidos, quanta angústia e opressão não teve que sofrer
o inocente Coração de Jesus! Conhecia bem o que primeiramente tinha que
padecer; os sofrimentos e opróbrios do nascimento numa fria gruta,
estábulo de animais; os trinta anos de trabalho como artesão; o
considerar que seria tratado pelos homens como ignorante, escravo,
sedutor e réu da morte mais infame e dolorosa que se reservava aos
criminosos.
Tudo
aceitou nosso amável Redentor a cada momento, e a cada momento em que o
aceitava, padecia reunidas todas as penas e abatimentos que depois
padeceria até sua morte. O próprio conhecimento de sua dignidade divina
contribuía para que sentisse mais as injúrias recebidas dos homens: "Tenho
sempre presente a minha ignomínia". Continuamente teve diante
dos olhos sua vergonha, especialmente a confusão que sentiria ao ver-se
um dia despido, açoitado, pregado com três cravos de ferro, entregando
assim sua vida entre vitupérios e maldições daqueles que se beneficiavam
com sua morte. "Feito obediente até a
morte e morte de cruz" (Fil. 2,8) e para quê? Para
salvar-nos, a nós, míseros e ingratos pecadores.
†
Reza-se o Terço e a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Amado
Redentor nosso, quanto vos custou desde que entrastes no mundo, tirar-nos
do abismo em que nosso pecados nos haviam submergido. Para livrar-nos da
escravidão do demônio, ao qual nós mesmos nos vendemos voluntariamente,
aceitastes ser tratado como o pior dos escravos; e, nós que o sabíamos,
tantas vezes tivemos a ousadia de amargurar vosso amabilíssimo Coração,
que tanto nos amou. Mas já que Vós, nosso Deus, sendo inocente,
aceitastes vida e morte tão penosas, aceitamos por vosso amor, Jesus,
todas as dores que nos venham de vossas mãos. Aceitamo-las e abraçamo-las
porque procedem daquelas mãos transpassadas um dia para livrar-nos do
inferno, que tantas vezes merecemos. Vosso amor, nosso Redentor, ao
oferecer-vos para sofrer tanto por nós, obriga-nos a aceitar por Vós
qualquer pena e desprezo. Dai-nos a aceitar por Vós qualquer pena e
desprezo. Dai-nos, Senhor, por vossos méritos, vosso santo amor, que nos
torna doces todas as dores e todas as ignomínias. Amamos-vos acima de
todas as coisas, amamos-vos com todo o coração, amamos-vos mais que a nós
mesmos. Vós, em vossa vida, nos destes tantas e tão grandes provas de
afeto e nós, ingratos, que prova de amor vos damos? Fazei, pois, ó nosso
Deus, que durante os anos que nos restam de vida vos demos alguma prova
de amor. Não nos atreveríamos, no dia do juízo, a comparecer diante de
Vós tão pobres como somos agora e sem fazer nada por vosso amor; mas que
podemos fazer sem vossa graça? Apenas rogar-vos que nos socorrais, e
ainda essa nossa súplica é graça vossa. Oh, Jesus, socorrei-nos pelo
mérito de vossas dores e do sangue que derramastes por mim.
Maria
Santíssima, recomendai-nos a Vosso Filho, já que por nosso amor o
tivestes em vosso seio. Lembrai-vos que somos daquelas almas por quem
morreu vosso Filho.
Cântico:
Adeste,
Fideles
3º Dia - 18 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus (em anexo no final)
Jesus
faz-se Menino para conquistar nossa confiança e nosso amor
Um
menino nos nasceu, um filho nos foi dado.
(Is. 9,6)
Consideremos como depois de tantos séculos, depois de tantas orações e
pedidos, veio, nasceu e se deu todo a nós o Messias, que não foram dignos
de ver os santos patriarcas e profetas; o desejado pelos gentios, o
desejado pelas colinas eternas, nosso Salvador: "Um
menino nos nasceu, um filho nos foi dado". O Filho de Deus se
fez pequeno para fazer-nos grandes: deu-se a nós para que nos déssemos a
Ele; veio mostrar-nos seu amor, para que lhe déssemos o nosso.
Recebamo-lo, pois com afeto, amemo-lo e recorramos a Ele em todas as
nossas necessidades. As crianças, diz São Bernardo, facilmente concedem o
que se lhes pede. Jesus veio como criança, para mostrar-nos que está
disposto a dar-nos todos os seus bens. "No
qual se acham todos os tesouros" (Col. 2,3). "O
Pai...entregou tudo em suas mãos" (Jo. 3,35). Se queremos
luz, Ele veio para nos iluminar; se queremos força para resistir aos
inimigos, Ele veio para nos fortalecer; se queremos o perdão e a
salvação, Ele veio precisamente para nos perdoar e nos salvar; se
queremos, em uma palavra, o supremo dom do amor divino, Ele veio para nos
abrasar; e, para isto, sobretudo, se fez menino e quis apresentar-se a
nós pobre e humilde, para parecer mais amável, para tirar-nos todo o
temor e conquistar nosso afeto: "Assim
devia vir quem quis desterrar o temor e buscar a caridade",
diz São Pedro Crisólogo.
Além
disso, Jesus Cristo quis vir criança, para que o amássemos não só com
amor apreciativo, mas com amor terno. Todas as crianças sabem conquistar
para si afetuoso carinho daqueles que a rodeiam e, quem não amará com
ternura seu Deus, vendo-o criancinha, com frio, pobre, humilhado e
abandonado, que chora sobre as palhas de um presépio?
Vinde
amar Deus feito menino e feito pobre, e que é tão amável que desceu do
céu para entregar-se por completo a nós.
†
Reza-se o Terço e
a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Ó
amável Jesus, tão desprezado por nós! Descestes do céu para resgatar-nos
do inferno e dar-vos por completo a nós, como pudemos tantas vezes,
voltar-vos as costas, ó Deus! Os homens são tão gratos às criaturas que
se alguém lhes dá um presente, se lhes envia um cumprimento, se lhes dá
qualquer prova de afeto, não se esquecem e se sentem forçados a
corresponder. E, pelo contrário, são tão ingratos convosco, que sois seu
Deus, e tão amável que por seu amor não recusastes dar o sangue e a vida.
Mas, ai de nós, nós fomos ainda piores que os outros, porque fomos mais
amados e mais ingratos. Ah! Se as graças que nos destes, as tivesses dado
a um herege, a um idólatra, talvez se tivessem santificado, e nós vos
ofendemos. Por favor, não vos lembreis, Senhor, das injúrias que vos
fizemos. Dissestes que, quando um pecador se arrepende, esquecei-vos de
todos os pecados cometidos: "Nenhum dos pecados que cometeu lhe será recordado" (Ez. 18,
22). Se no passado não nos amamos, no futuro não queremos senão vos amar.
Já que vos destes completamente a nós, damos-vos em troca toda a nossa
vontade; com ela vos amamos e que vos amamos queremos repetir para
sempre. Queremos viver repetindo-o e repetindo-o morrer, para começarmos
desde o instante que entramos na eternidade a amar-vos com um amor
contínuo que durará eternamente. Entretanto, Senhor, nosso único bem e
único amor, propomo-nos a antepor vossa vontade a todos os nossos
prazeres. Por nada queremos deixar de amar quem nos amou tanto; não
queremos mais desgostar a quem devemos amor infinito. Secundai, Jesus,
nosso desejo com vossa graça.
Rainha nossa, Maria, reconhecemos que todas as graças recebidas de Deus
são devidas à vossa intercessão; continuai a interceder por nós,
alcançai-nos a perseverança, vós que sois a Mãe de todas as graças.
Cântico:
Adeste, Fideles
4º Dia - 19 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus (em anexo no final)
A
paixão de Jesus Cristo durou toda sua vida
Minha
dor está sempre diante de mim.
(Salmo 37,18)
Consideremos como naquele primeiro instante
em que foi criada e unida a alma de Jesus Cristo a seu corpo, no seio de
Maria, o Pai Eterno
mostrou a seu Filho sua vontade de que morresse pela redenção do mundo; e
naquele mesmo instante lhe mostrou todas as penas que devia sofrer até a
morte para redimir os homens. Mostrou-lhe então todos os trabalhos,
desprezos e pobreza que devia padecer em sua vida, tanto em Belém como no
Egito e em Nazaré, e depois todas as dores e ignomínias da paixão:
açoites, espinhos, cravos e cruz; todos os tédios, tristezas, agonias e
abandonos no meio dos quais havia de terminar sua vida no Calvário.
Abrão, conduzindo seu filho à morte, não quis afligi-lo dizendo-lhe
antecipadamente que morreria, e isso no pouco tempo que era necessário
para chegar ao monte. Mas o Eterno Pai quis que seu Filho encarnado,
destinado como vítima de nossos pecados à sua justiça, padecesse
imediatamente, pelo conhecimento delas, todas as penas a que depois teria
que sujeitar-se durante sua vida e em sua morte. Daí, a tristeza padecida
por Jesus no Horto, capaz de tirar-lhe a vida, como ele declarou: "Minha
alma está triste até a morte" (Mt. 26,38), padeceu-a também
constantemente desde o primeiro momento em que esteve no seio de sua Mãe.
Assim, desde então sentiu vivamente e sofreu o peso reunido de todas as
dores e vitupérios que O esperavam.
A
vida inteira e todos os anos de nosso Redentor foram cheios de penas e
lágrimas: "Na dor se consome minha
vida, e em soluços meus anos" (Salmo 30,11). Seu divino Coração
não teve um momento livre de sofrimentos; quer vigiasse ou dormisse, quer
trabalhasse ou descansasse, rezasse ou falasse, sempre tinha diante dos
olhos essa amarga representação, que atormentava mais sua santíssima Alma
do que atormentaram aos santos mártires todas as suas penas. Eles
padeceram, mas, ajudados pela graça divina, padeceram com alegria e
fervor. Jesus Cristo sofreu, mas sofreu sempre com o coração cheio de
tédio e tristeza, e tudo aceitou por nosso amor.
†
Reza-se o Terço e a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Ó
doce, ó amável, ó amante Coração de Jesus, assim desde menino fostes
amargurado e agonizáveis no seio de Maria? Tudo isto sofrestes, Jesus,
para satisfazer pela pena e agonia eterna que nos cabia padecer no
inferno por nossos pecados. Vós pois, padecestes sem nenhum alívio para
salvar-nos, depois de nós termos nos atrevido a abandonar a Deus e
voltar-lhe as costas, para satisfazer nossos gostos miseráveis. Graças
vos damos, Coração amante e aflito de Nosso Senhor. Agradecemos-vos e nos
compadecemos de Vós ao considerar que padecestes tanto pelos homens e que
estes não se compadecem de Vós. Como são grandes o amor de Deus e a
ingratidão dos homens. Ó Redentor nosso, como são poucos os homens que
pensam em vossas dores e em vosso amor. Ó Deus, como são poucos os que
vos amam. E desgraçados de nós que também vivemos tantos anos sem
lembrarmo-nos de Vós! Vós padecestes tanto para que vos amássemos e não
vos amamos. Perdoai-nos, Jesus, perdoai-nos que queremos nos emendar e
queremos vos amar. Pobres de nós, Senhor, se resistirmos à Vossa graça e
por nossa resistência nos condenarmos. Quantas misericórdias usastes
conosco e especialmente vossa voz que agora nos convida a amar-vos,
seriam nossas maiores penas no inferno. Amado Jesus, tende piedade de
nós, não permitais que vivamos mais ingratos a vosso amor; dai-nos luz e
força para vencer tudo e para cumprir vossa vontade. Escutai-nos,
rogamos-vos, pelos méritos de vossa Paixão.
De
Vós esperamos tudo e de vossa intercessão, ó Maria. Querida Mãe,
socorrei-nos, Vós que nos alcançastes todas as graças que recebemos de
Deus; continuai a nos ajudar, pois se não o fazeis seremos infiéis, como
o fomos no passado. Vós sois toda a nossa esperança e toda a razão de
nossa confiança.
Cântico:
Adeste,
Fideles
5º Dia - 20 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus
(em anexo no final)
Jesus Cristo se ofereceu desde o princípio por nossa salvação
Foi
imolado, porque Ele mesmo quis.
(Is. 53,7)
O
Verbo divino, desde o primeiro instante em que se viu feito homem e
criança no seio de Maria, se ofereceu por si mesmo às penas e à morte
para resgate do mundo. Sabia que todos os sacrifícios dos cordeiros e dos
touros oferecidos a Deus na Antigüidade não tinham podido satisfazer
pelas culpas dos homens, mas que era necessário que uma pessoa divina
satisfizesse por eles o preço de sua redenção. Pelo que disse, como
afirma o Apóstolo: "Não quiseste
hóstia nem oblação, mas me formaste um corpo. Então eu disse; Eis-me aqui
presente" (Heb. 10,5). Meu Pai, disse Jesus Cristo, todas as
vítimas que vos foram oferecidas até agora não bastam nem bastarão para
satisfazer vossa justiça; destes-me um corpo passível para que com a
efusão de meu sangue vos aplaque e salve os homens: eis-me aqui presente,
"ecce venio", tudo aceito
e tudo submeto a vossa vontade.
A
parte inferior de sua vontade experimentava, naturalmente, repugnância e
recusava-se a viver e a morrer entre tantas dores e opróbrios, mas venceu
a parte racional, que estava completamente subordinada à vontade do Pai,
e aceitou tudo, começando Jesus a padecer desde aquele instante, todas as
angústias e dores que sofreria nos anos de sua vida, assim agiu nosso
divino Redentor desde os primeiros instantes de sua entrada no mundo.
E
como nos portamos nós com Jesus Cristo, desde que, chegados ao uso da
razão, começamos a conhecer, com as luzes da fé, os sagrados mistérios da
redenção? Que pensamentos, que desígnios, que bens temos amado? Prazeres,
passatempos, soberbas, vinganças, sensualidade, eis os bens que
aprisionaram os afetos de nosso coração. Mas, se temos fé, mudemos de
vida e de amores; amemos a um Deus que tanto padeceu por nós.
Lembremo-nos das penas que o Coração de Jesus padeceu por nós desde
criança, e assim não poderemos amar senão esse Coração, que tanto nos
amou.
†
Reza-se o Terço e a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Senhor nosso, quereis saber como nos portamos convosco em nossa vida?
Desde que começamos a ter o uso da razão começamos a menosprezar vossa
graça e vosso amor. Mas melhor que nós o sabeis vós e, apesar disso, nos
suportastes porque nos amais muito. Fugíamos de Vós, e vós vos
aproximastes chamando-nos. Aquele mesmo amor que vos fez baixar do céu
para buscar as ovelhas perdidas, fez com que nos suportásseis. Jesus,
agora nos buscais e nós vos buscamos. Percebemos que vossa graça nos
assiste; assisti-nos com a dor de nossos pecados, que odiamos mais que
todos os outros males; assisti-nos com o desejo que temos de vos amar e
de vos dar gosto. Sim Senhor nosso, queremos amar-vos e tanto quanto
possamos. Certo que tememos por nossa fragilidade e debilidade contraídas
por causa de nossos pecados, mas muito amor é a confiança que vossa graça
nos infunde, fazendo-nos esperar em vossos méritos e dando-nos grande
ânimo para exclamar: "Tudo posso
naquele que me conforta" (Fil. 4,13). Se somos débeis, Vós
nos dareis força contra nossos inimigos; se estamos enfermos, esperamos
que vosso sangue seja nossa medicina; se somos pecadores, confiamos em
que nos santificareis. Confessamos que no passado cooperamos com nossa
ruína porque deixamos de recorrer a Vós nos perigos. De hoje em diante,
Deus e esperança nossa, a Vós queremos recorrer e de Vós esperamos toda
ajuda e todo o bem. Amamos-vos sobre todas as coisas e nada queremos amar
fora de vós. Ajudai-nos, por piedade, pelo mérito de tantos sofrimentos
que desde o princípio sofrestes por nós. Eterno Pai, por amor de Jesus
Cristo, aceitai que vos amemos. Se vos iramos, aplacai-vos ao ver as
lágrimas do menino Jesus, que vos roga por nós: "Põe
teus olhos na face de teu ungido" (Salmo 83,10). Não merecemos
graças, mas merece-as esse Filho inocente, que vos oferece uma vida de
penas para que sejais conosco misericordioso.
E
Vós, Maria, Maria, Mãe Misericordiosa, não deixeis de interceder por nós;
sabeis quanto confiamos em Vós, e sabemos bem que não abandonais a quem
recorre a Vós.
Cântico:
Adeste, Fideles
6º Dia - 21 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus (em anexo no final)
Jesus
no seio de Maria
Sou
contado entre os que descem à cova,
tornei-me como um homem sem força.
(Salmo 87,5)
Consideremos a vida penosa por que passou Jesus Cristo no seio de sua
Mãe. Era livre, porque se tinha feito voluntariamente prisioneiro de
amor, mas o amor o privava do uso da liberdade e o mantinha em cadeias
tão apertadas que não podia mover-se. Ó grande paciência do Salvador! Ao
pensar nas penas de Nosso Senhor ainda no seio de sua Mãe.
Vejamos a que se reduz o Filho de Deus por amor dos homens: priva-se de
sua liberdade e se encadeia para livrar-nos das cadeias do inferno.
Muito, pois, merece ser reconhecida com gratidão e amor a graça de nosso
libertador e fiador, que, não por obrigação, mas por afeto, se ofereceu
para pagar e pagou nossas dívidas e nossas penas, dando por elas sua
vida: "Não te esqueças do benefício
que te fez o que ficou por teu fiador, porque ele expôs a sua vida por ti"(Eclesiástico
29,20).
†
Reza-se o Terço e
a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
"Não
te esqueças do benefício que te fez o que ficou por teu fiador".
Sim, ó Jesus, com razão nos adverte o Profeta de que não nos esqueçamos
da imensa graça que nos fizeste. Nós éramos devedores e réus, e, Vós
inocente. Vós, nosso Deus, quisestes satisfazer por nossos pecados com
vossas penas e com vossa morte. E depois esquecemos esta graça e vosso
amor e nos atrevemos a voltar-vos as costas, como se não fosseis nosso
Senhor, o Senhor que nos amou tanto. Mas, se no passado o esquecemos, não
queremos, Redentor nosso, esquecer-vos no futuro. Vossas penas e vossa
morte serão nosso contínuo pensamento, e elas nos recordarão sempre o
amor que nos tivestes. Maldizemos os dias em que, esquecidos de quanto
sofrestes por nós, abusamos lamentavelmente da liberdade que nos destes
para amar-vos e empregamos em desprezar-vos. Essa liberdade que nos
destes, hoje vo-la consagramos. Livrai-nos, ó Jesus, da desgraça de
ver-nos de novo separados de Vós e feitos escravos do demônio. Prendei a
vossos pés nossas almas a fim de que não nos separemos mais de vós. Pai
Eterno, pelo cativeiro que o Menino Jesus padeceu no seio de Maria,
livrai-nos das cadeias do demônio e do inferno.
E
Vós, Mãe de Deus, socorrei-nos. Carregai-nos aprisionados e estreitados
ao Filho de Deus. Pois, já que Jesus é vosso prisioneiro, fará tudo o que
mandardes. Dizei-lhe que nos perdoe e que nos faça santos. Ajudai-nos,
nossa Mãe, pela graça e honra que vos fez Jesus Cristo de habitar nove
meses em vosso seio.
Cântico:
Adeste,
Fideles
7º Dia - 22 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus
(em anexo no final)
Dor
que causou a Jesus Cristo a ingratidão dos homens
Veio
para o que era seu e os seus não o receberam.
(Jo. 1,11)
Em
certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos caminhos gemendo e
suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu: "Como
quereis que não chore vendo que o amor não é amado?
Vejo Deus inebriado de amor pelos homens
e os homens tão ingratos para com esse Deus". Se tanto
afligia essa ingratidão dos homens a São Francisco, consideremos quanto
mais afligirão ao Coração de Jesus. Tão logo foi concebido no seio de
Maria viu a cruel correspondência que havia de receber dos homens. Tinha
vindo do céu para atear o fogo do amor divino, e esse desejo o tinha
feito descer à terra e sofrer um abismo de penas e ignomínias: "Vim
trazer o fogo à terra e que quero senão que se ateie?" (Lc.
12,49). E depois via o abismo de pecados que cometeriam os homens apesar
de terem sido testemunhas de tantas provas de seu amor. Esse foi, disse
São Bernardino de Sena, o que lhe fez padecer uma dor infinita. Ainda
entre nós, quando alguém se Vê tratado ingratamente por outro é uma dor
insuportável, pois a ingratidão freqüentemente aflige a alma mais que
outra dor ao corpo. Que dor, pois, ocasionaria a Jesus, que era nosso
Deus, ver que, por nossa ingratidão, seus benefícios e seu amor seriam
pagos com desgostos e injúrias? "Deram-me
males em troca de bens e ódio em troca do amor que eu lhes tinha".
(Sl. 108,5). E ainda hoje se lamenta Jesus Cristo: "Fui
um estrangeiro para meus irmãos" (Sl. 68,9), pois vê que não
é amado nem conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem
nenhum nem tivesse sofrido nada por seu amor.
Ó meu
Deus, que caso fazemos, mesmo os cristãos, do amor de Jesus Cristo?
Apareceu um dia Ele ao Beato Henrique Suso como um peregrino que
mendigava de porta em porta, sendo sempre posto fora com injúrias.
Quantos são semelhantes àqueles de quem falou Jó: "Eles
diziam a Deus: Retira-te de nós, e julgavam o Onipotente, como se não
pudesse fazer nada; sendo que ele cumulou de bens as suas casas" (Job, 22,17).
Nós, ainda que no passado nos tenhamos unido a esses ingratos, queremos
continuar com nossa ingratidão no futuro? Não, porque não o merece aquele
amável Menino que veio do céu padecer e morrer por nós para que o
amássemos.
†
Reza-se o Terço e
a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Senhor Jesus, que descestes do céu para que nós vos amássemos, tomando
uma vida cheia de trabalho e a morte numa cruz, como pudemos tantas vezes
dizer-vos: "Retirai-vos de nós",
não vos queremos, ó nosso Deus, se não fôsseis bondade infinita nem
tivésseis dado a vida para perdoar-nos, não nos atreveríamos a pedir-vos
perdão; mas sabemos que Vós mesmo nos quereis dar a paz: "Convertei-vos
a mim, diz o Senhor Deus dos exércitos e eu me voltarei para Vós"
(Zac. 1,3). Vós mesmo, Jesus, que sois o ofendido, intercedeis por nós.
Não queremos, pois, ofender-vos ainda uma vez, desconfiados de vossa
misericórdia. Arrependemo-nos com toda a alma de vos ter desprezado, meu
sumo Bem. Dignai-vos receber-nos em vossa graça pelo sangue derramado por
Vós. "Pai, não sou digno de ser
chamado teu filho" (Lc.15,21). Não, nosso Redentor e Pai, não
somos dignos de ser vossos filhos, porque tantas vezes renunciamos ao
vosso amor; mas Vós nos tornais dignos com vossos merecimentos. Que só o
pensamento da paciência com que suportastes nossos pecados durante tantos
anos e das graças que nos concedestes, depois de todas as injúrias que
vos fizemos, faça-nos viver ardendo nas chamas de vosso amor. Vinde,
pois, Senhor, que não vos expulsaremos mais, vinde habitar nosso pobre
coração. Amamos-vos e queremos amar-vos para sempre, e
Vós abrasai-nos sempre mais, com a lembrança do amor que nos tivestes.
Cântico:
Adeste, Fideles
8º Dia - 23 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus (em anexo no final)
Amor
de Deus aos homens no nascimento de Jesus
Porque apareceu a graça de Deus nosso Salvador a todos os homens,
ensinando-nos que renunciando à impiedade... vivamos piedosamente no
presente século, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa
do grande Deus e Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo.
(Ti. 2, 12-14)
Consideremos que a graça salvadora de Deus que se manifestou a todos os
homens foi o profundíssimo amor de Jesus Cristo aos homens. Esse amor,
embora tenha sido da parte de Deus sempre idêntico, nem sempre foi
igualmente manifesto.
Antes
fora prometido muitas profecias e encoberto sob o véu de muitas figuras.
Mas, no nascimento do Redentor, deixou-se ver claramente, aparecendo aos
homens o Verbo eterno como menino deitado sobre o feno, gemendo e
tremendo de frio, começando já assim a satisfazer pelas penas que
merecíamos e dando-nos a conhecer o afeto que nos tinha, sacrificando por
nós a vida: "Nisto conhecemos a
caridade de Deus, porque Ele deu sua vida por nós".
Manifestou-se, pois, a graça salvadora de Deus, e manifestou-se a todos
os homens. Mas porque não o conheceram todos e ainda hoje há tantos que,
podendo, não o conhecem? Porque "a
luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz"
(Jo. 3,19). Não o conheceram nem o conhecem porque não querem conhecê-lo
e amam mais as trevas do pecado do que a luz da graça. Não pertençamos ao
número desses infelizes. Se até aqui temos fechado os olhos à luz,
pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos, até o fim de nossa
vida, ter sempre ante os olhos os sofrimentos e a morte de nosso
Redentor, para amar a quem tanto nos amou: "Aguardando
a bem-aventurada esperança e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador
Nosso Jesus Cristo" (Ti. 2,13).
Assim
poderemos confiar fundadamente, segundo as divinas promessas, alcançar
aquele paraíso que Jesus Cristo nos conquistou com seu sangue. Nesta
primeira manifestação vem Jesus Cristo como menino, pobre e desprezado,
nascido num estábulo, coberto de pobres panos e reclinado na palha, mas
na segunda aparição virá sobre um trono de majestade: "E
verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e
majestade" (Mt. 24,30). Feliz naquela hora quem não o tenha
odiado ou desprezado.
†
Reza-se o Terço e
a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Óh,
Santo Menino, agora vos contemplamos sobre a palha, pobre, aflito e
abandonado; mas sabemos que vireis um dia para julgar-nos sobre
esplendoroso trono, rodeado de anjos. Perdoai-nos antes de julgar-nos.
Então sereis um juiz rigoroso, mas agora sois nosso Redentor e nosso Pai
misericordioso. Ingratos fomos, não vos conhecendo por não querer
conhecer-vos, e em vez de pensar em amar-vos, considerando o amor que nos
tivestes, só pensamos em satisfazer nosso apetite, desprezando vossa
graça e vosso amor. Em vossas mãos pomos nossa alma, que tantas vezes nos
esforçamos por perder, para que Vós as salveis. "Em
tuas mãos entrego meu espírito: tu me livrarás. Senhor, Deus de Verdade"
(Sl. 30,6). Em Vós deposito minhas esperanças, pois seis que, para
resgatar-me do inferno, destes sangue e vida. Tu me livrarás, Senhor,
Deus de Verdade. Não me fizestes morrer quando eu estava em pecado e me
esperastes com tanta paciência para que, entrando em mim, me arrependesse
de vos ter ofendido, começasse a amar-vos e assim pudésseis perdoar-me e
salvar-me. Sim, meu Jesus, quero agradar-vos; arrependo-me de todo o mal
e desgosto que vos tenho causado. Salvai-me por vossa misericórdia e seja
minha salvação amar-vos sempre nesta vida e por toda a eternidade.
Minha
amada Mãe, recomendai-me a vosso Filho, fazei-o ver que sou servo vosso e
que em Vós pus minha esperança, pois Ele vos ouve e não vos nega nada.
Cântico:
Adeste, Fideles
9º Dia - 24 de
dezembro
Cântico:
Puer Natus
(em anexo no final)
Viagem de São José e de Maria Santíssima a Belém
Subiu também José para inscrever-se no censo com Maria, sua esposa, que
estava prestes a dar à luz.
(Lc.10,5)
Tinha
Deus decretado que seu Filho nascesse nem sequer na casa de José, mas
numa gruta, num estábulo, do modo mais pobre e penoso que possa nascer
uma criança; já para isso dispôs que César Augusto publicasse um édito no
qual ordenava que fossem todos recensear-se em sua cidade natal. José, ao
ter notícia dessa ordem, certamente hesitou sobre deixar ou levar consigo
Maria Santíssima, próxima de dar à luz, uma vez que não tinha riqueza
para proporcionar-lhe uma viagem conveniente, nem queria, por outro lado,
deixá-la sozinha e sem amparo.
Sabia, contudo, Maria que, como anunciara o profeta Miquéias, devia o
Salvador nascer em Belém; por isso, tomando os panos e roupas que
preparara para seu Filho, partiu Ela com José, pobremente, em tempo de
inverno, prestes a dar à luz, para submeter-se à vontade de Deus.
Una-nos a eles, e através das penas e dores da nossa viagem por esta
vida, louvemos a Deus, sejamos-lhe gratos, pedindo-lhe apenas que esteja
sempre conosco Nosso Senhor Jesus Cristo.
Peçamos a José e a Maria que pelo mérito das penas padecidas em sua
viagem, nos acompanhem na viagem que estamos fazendo para a eternidade.
†
Reza-se o Terço e
a
Ladainha de Nossa Senhora
Oração
Meu
amado Redentor, acompanhado na terra apenas por José e Maria, ao ir a
Belém, permiti-me que vos acompanhe também eu, Vós descestes do céu para
ser meu companheiro na terra, e eu tantas vezes já vos abandonei
ofendendo-vos ingratamente. Quando penso que, tantas vezes, para seguir
minhas malditas inclinações, separei-me de Vós, renunciando a vossa
amizade, quisera morrer de dor. Vós viestes para perdoar-me; assim, pois,
perdoai-me imediatamente, pois com toda a alma me arrependo de vos ter
dado tantas vezes as costas e abandonado. Proponho e espero, com vossa
graça, não vos deixar mais nem separar-me mais de Vós. Uni-me,
estreitai-me com os suaves laços de vosso santo amor, meu Redentor e meu
Deus.
Maria
Santíssima, venho acompanhar-vos em vossa viagem; não deixeis de
assistir-me na que estou fazendo para a eternidade. Assisti-me sempre e,
especialmente, quando me achar no fim de minha vida, próximo ao instante
de que depende estar sempre convosco para amar a Jesus no paraíso, ou
estar sempre longe de vós, para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha,
salvai-me por vossa intercessão, e seja a minha salvação amar-vos, a vós
e a Jesus, para sempre, no tempo e na eternidade. Sois minha esperança;
em vós confio.
Cântico:
Adeste,
Fideles
Anexo:
Cântico Puer Natus
1. Puer nátus in Béthlehem, allelúia:
Unde gáudet Jerúsalem, allelúia, allelúia.
In córdis júbilo, Christum nátum adorémus,
Cum nóvo cántico.
2. Assúmpsit cárnem Filius, allelúia,
Déi Pátris altíssimus, allelúia, allelúia.
In córdis...
3. Per Gabriélem núntium, allelúia,
Virgo concépit Filium, allelúia, allelúia.
In
córdis...
4. Tamquam
spónsus de thálamo, allelúia,
Procéssit Mátris útero, allelúia, allelúia.
In córdis...
5. Hic jácet in praesépio, allelúia,
Qui régnat sine término, allelúia, allelúia.
In córdis...
6. Et Angelus pastóribuis, allelúia,
Revélat quod sit Dóminus, allelúia, allelúia.
In córdis...
7. Réges de Sába véniunt, allelúia,
Aurum, thus, myrrham ófferunt, allelúia, allelúia.
In córdis...
8. Intrántes dómum invicem, allelúia,
Nóvum salútant Principem, allelúia, allelúia.
In córdis...
9. De Mátre nátus Virgine, allelúia,
Qui lúmen est de lúmine, allelúia, allelúia.
In
córdis...
10. Sine
serpéntis vúlnere, allelúia,
De nóstro vénit sánguine, allelúia, allelúia.
In córdis...
11. In
carne nóbis símilis, allelúia,
Peccáto sed dissímilis, allelúia, allelúia.
In córdis...
12. Ut
réderet nos hómines, allelúia,
Déo et síbi símiles, allelúia, allelúia.
In córdis...
13. In hoc natáli gáudio, allelúia,
Benedicámus Dómino, allelúia, allelúia.
In córdis...
14. Laudétur sáncta Trínitas, allelúia,
Déo dicámus grátias, allelúia, allelúia.
In
córdis...
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