|
A Sagrada Escritura está dividida em duas
grandes seções:
- o Antigo Testamento, que encerra
a história, as leis, as condições da antiga aliança entre Deus e os
homens, e tem por centro o Pentateuco (a lei);
- o Novo Testamento, que expõe a
história, as leis, as condições da nova aliança entre Deus e os homens,
e tem por centro os Evangelhos (a nova lei).
O Novo Testamento abrange 27 livros:
5 HISTÓRICOS (4 Evangelhos e os Atos dos
Apóstolos);
21 DIDÁTICOS (14 Epístolas de São Paulo e
7 Epístolas Católicas);
1 PROFÉTICO (o Apocalipse).
Todos estes, e somente estes, são livros
reconhecidos pela Igreja Católica como inspirados, a qual recebeu do
Espírito Santo o ofício de transmitir e de interpretar fielmente as
Sagradas Escrituras.
Nos primeiros três séculos houve alguma
incerteza em determinadas igrejas quanto à canonicidade de tais livros.
Deve-se atribuir tal incerteza à falta de comunicações e às abundantes
contrafações heréticas. Por essas duas causas, encontramos sete livros
(a Epístola de São Tiago, a segunda Epístola de São Pedro, a de São
Judas, a Epístola aos Hebreus, a segunda e a terceira Epístolas de São
João e o Apocalipse) fora do cânon de algumas igrejas, chamados
deuterocanônicos, por terem sido incluídos no cânon da Igreja depois
dos outros que se chamam protocanônicos. Já no IV século, porém,
todas as Igrejas têm o cânon completo de 27 livros, como foi decretado
pelo Concílio de Trento, que elenca os livros inspirados do Novo
Testamento nesta ordem: 4 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João; os
Atos dos Apóstolos; 14 Epístolas de São Paulo Apóstolo: aos Romanos, 2
aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses,
2 aos Tessalonicenses, 2 a Timóteo, a Tito, a Filêmon, aos Hebreus; 2 de
São Pedro Apóstolo; 3 de São João Apóstolo; 1 de São Tiago Apóstolo; 1
de São Judas Apóstolo; e o Apocalipse de São João Apóstolo.
A língua do N.T. é a grega, que foi a
língua litúrgica nos primeiros séculos, até em Roma. Mas, para que
também o povo pudesse ler estes livros, foram feitas traduções para o
latim. A mais famosa é a chamada Ítala, que São Jerônimo, por ordem do
Papa São Dâmaso, corrigiu com o original grego, de 383 a 385. Assim
corrigida e adotada por todas as Igrejas, passou a ser denominada
Vulgata, cujo texto foi fixado definitivamente por Sixto V e
Clemente VIII.
Jesus Cristo não escreveu nem ordenou que
seus Apóstolos escrevessem, mas confiou sua fé à pregação deles. Os
Apóstolos e os discípulos, ao se depararem com as heresias que surgiam,
foram inspirados pelo Espírito Santo e deixaram escrito somente uma
parte da própria pregação, para servir de testemunho contra os heréticos
e para consolação dos fiéis. Não escreveram propositalmente, mas
premidos pelas circunstâncias, como São Paulo, ou a pedido dos fiéis,
como os evangelistas. Não pretendem, pois, como bem deixam a entender
nos seus escritos, incluir toda a Revelação nas suas epístolas. Aliás,
várias vezes eles relembram aos fiéis que tenham presentes aquelas
coisas que já foram ditas a viva voz. Querem com isso demonstrar que o
N.T. é a tradição escrita, mas que a maior parte da tradição ficava
confiada à viva voz, e entregue à Igreja, para que a guardasse fielmente
através dos séculos. Os escritos do N.T. são um reflexo e um auxílio
para a tradição oral. É o que demonstram as Epístolas Paulinas e os
Evangelhos. |