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A palavra Bíblia é de origem grega e
significa Livro, ou melhor: livros. Desde os primeiros
tempos do cristianismo, este vocábulo, junto com os outros dois
Escritura e Escrituras Sagradas, era usado para designar o
conjunto dos livros que contêm a revelação divina. Aplica-se, pois, o
nome de Bíblia ao volume que reúne a coleção desses livros e que
representa o livro divino por excelência.
Antigo e Novo Testamento
A Bíblia divide-se - depois de Tertuliano -
em duas grandes partes, chamadas Antigo e Novo Testamento.
À primeira seção pertencem os livros escritos antes de Cristo; à
segunda, os escritos depois.
O Antigo Testamento é a coleção dos
livros sagrados que contêm a história da aliança contraída por Deus com
Abraão e o seu povo, as condições e as leis desta aliança. Anuncia e
prepara o advento do Redentor.
O Novo Testamento expõe a história
da nova aliança contraída por Jesus Cristo com os homens e sancionada
com o seu sangue, as principais condições e leis desta aliança.
Jesus Cristo, centro e objeto de toda a
Bíblia, está entre os dois Testamentos.
Livros da Bíblia
Segundo o Concílio de Trento, os livros da
Bíblia são setenta e três: 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo.
Atendendo ao assunto e à forma, podem ser divididos em três classes:
livros históricos, didáticos (isto é: doutrinais e morais)
e proféticos.
É o seguinte o elenco dos 73 livros
sagrados:
I - ANTIGO TESTAMENTO
a) livros históricos: 1º
Gênesis; 2º Êxodo; 3º Levítico; 4º Números; 5º Deuteronômio; 6º Josué;
7º Juízes; 8º Rute; 9º Primeiro livro dos Reis; 10º Segundo livro dos
Reis; 11º Terceiro livro dos Reis; 12º Quarto livro dos Reis; 13º
Primeiro livro dos Paralipômenos; 14º Segundo livro dos Paralipômenos;
15º Esdras; 16º Neemias; 17º Tobias; 18º Judite; 19º Ester; 20º Primeiro
livro dos Macabeus; 21º Segundo livro dos Macabeus.
b) livros didáticos:
22º Jó; 23º Salmos; 24º Provérbios; 25º Eclesiastes; 26º Cântico dos
Cânticos; 27º Sabedoria; 28º Eclesiástico.
c) livros proféticos:
Profetas Maiores: 29º Isaías; 30º Jeremias; 31º Lamentações de Jeremias;
32º Baruc; 33º Ezequiel; 34º Daniel. - Profetas Menores: 35º Oséias; 36º
Joel; 37º Amós; 38º Abdias; 39º Jonas; 40º Miquéias; 41º Naum; 42º
Habacuc; 43º Sofonias; 44º Ageu; 45º Zacarias; 46º Malaquias.
II - NOVO TESTAMENTO
a) livros históricos: 1º
Evangelho de S. Mateus; 2º Evangelho de S. Marcos; 3º Evangelho de S.
Lucas; 4º Evangelho de S. João; 5º Atos dos Apóstolos.
b) livros didáticos:
Epístolas de S. Paulo: 6º Aos Romanos; 7º Primeira aos Coríntios; 8º
Segunda aos Coríntios; 9º aos Gálatas; 10º aos Efésios; 11º aos
Filipenses; 12º aos Colossenses; 13º Primeira aos Tessalonicenses; 14º
Segunda aos Tessalonicenses; 15º Primeira a Timóteo; 16º Segunda a
Timóteo; 17º a Tito; 18º a Filémon; 19º aos Hebreus; 20º Epístola de São
Tiago; 21º Primeira Epístola de S. Pedro; 22º Segunda Epístola de S.
Pedro; 23º Primeira Epístola de S. João; 24º Segunda Epístola de S.
João; 25º Terceira Epístola de S. João; 26º Epístola de S. Judas.
c) livros proféticos: 27º
Apocalipse.
O Cânon
A palavra cânon ou regra, na Sagrada
Escritura, designa a coleção ou lista dos livros inspirados por Deus,
reconhecida pela tradição e pela autoridade infalível da Igreja e
proposta como regra de fé. Os livros que pertencem ao cânon são chamados
canônicos.
Todos os livros do Velho e do Novo
Testamento são inspirados; todavia nos primeiros séculos do
cristianismo, numa ou noutra Igreja surgiram algumas dúvidas acerca da
inspiração de alguns livros da Bíblia. As controvérsias, porém, não
duraram muito, porquanto logo todas as Igrejas concordaram em admitir a
inspiração divina para aqueles livros. A partir do século XVI
chamaram-se deuterocanônicos os livros cuja inspiração fora
temporariamente impugnada por alguma Igreja; os outros, em vez, foram
denominados protocanônicos.
São considerados livros deuterocanônicos:
No Velho Testamento: Tobias, Judite,
Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e a Epístola de Jeremias, os dois livros
dos Macabeus e alguns fragmentos do livro de Ester (10, 4-16, 24) e do
livro de Daniel (3, 24-90; 13, 1-14, 42).
No Novo Testamento: a Epístola aos
Hebreus; a Epístola de S. Tiago; e segunda Epístola de S. Pedro; a
Epístola de S. Judas, a segunda e terceira Epístolas de S. João, o
Apocalipse e os fragmentos dos Evangelhos de S. Marcos, (16, 9-20), de
S. Lucas (22, 43-44) e de S. João (7, 53-8, 11).
Para nós católicos, gozam de mesma
autoridade tanto os livros protocanônicos quanto os deuterocanônicos,
porque são todos igualmente inspirados; ao passo que os protestantes não
consideram os deuterocanônicos como inspirados, e portanto apócrifos.
Os católicos consideram apócrifos certos livros antigos, os
quais, embora considerados como inspirados por algumas Igrejas
particulares ou pelos hereges, não o foram tais pela Igreja Universal e
foram rejeitados como livros errôneos, pueris ou perigosos, ou então
considerados não canônicos, sem autoridade alguma ou de alguma
autoridade meramente humana, ou apenas eclesiástica.
Da inspiração e da verdade
da Sagrada Escritura
“O primeiro e maior cuidado de Leão XIII
foi expor a doutrina relativa à verdade dos Livros Sagrados e defendê-la
dos ataques contrários. Por isso em graves termos declarou que não há
erro absolutamente nenhum quando o hagiógrafo falando de coisas físicas
'se atém ao que aparece aos sentidos' como escreveu o Angélico,
exprimindo-se 'ou de modo metafórico, ou segundo o modo comum de
falar usado naqueles tempos e usado ainda hoje em muitos casos na
conversação ordinária mesmo pelos maiores sábios.' De fato 'não
era intenção dos escritores sagrados, ou melhor - são palavras de
santo Agostinho - do Espírito Santo que por eles falava, ensinar aos
homens essas coisas - isto é, a íntima constituição do mundo visível -
que nada importam para a salvação'. Esse princípio 'deverá
aplicar-se às ciências afins, especialmente à história', isto é,
refutando 'de modo semelhante os sofismas dos adversários' e defendendo
das suas objeções a verdade histórica da Sagrada Escritura. Nem pode ser
taxado de erro o escritor sagrado, 'se aos copistas escaparam algumas
inexatidões na transcrição dos códices' ou 'se é incerto o verdadeiro
sentido de algum passo'. Enfim é absolutamente vedado 'reduzir a
inspiração unicamente a algumas partes da Sagrada Escritura ou conceder
que o próprio escritor sagrado errou', pois que a divina inspiração
'de sua natureza não só exclui todo erro, mas exclui-o e repele-o com
a mesma necessidade com que Deus, suma verdade, não pode ser autor de
nenhum erro. Esta é a fé antiga e constante da Igreja'." (Pio XII,
Divino Afflante Spiritu, 3)
A interpretação da Sagrada
Escritura
“Bem
preparado com o conhecimento das línguas antigas e com os recursos da
crítica, aplique-se o exegeta católico àquele que é o principal de todos
os seus deveres: indagar e expor o sentido genuíno dos Livros Sagrados.
Neste trabalho tenham os intérpretes bem presente que o seu maior
cuidado deve ser distinguir claramente e precisar qual seja o sentido
literal das palavras bíblicas. Procurem-no pois com toda a diligência,
valendo-se da ciência das línguas, do exame do contexto, da comparação
com passos semelhantes; coisas todas de que se costuma tirar partido na
interpretação dos escritores profanos, para tirar a limpo o pensamento
do autor. Mas os comentadores da Sagrada Escritura, tendo presente que
se trata de um texto divinamente inspirado, cuja conservação e
interpretação foram pelo mesmo Deus confiadas à Igreja, com não menor
diligência, atenderão às explicações e declarações do magistério
eclesiástico, bem como à exposição dos santos Padres e 'à analogia da
fé', como nota sapientissimamente Leão XIII na Encíclica
Providentissimus Deus. Guardem-se com particular cuidado de expor
somente o que toca à história, à arqueologia, à filologia e outras
matérias semelhantes - como com mágoa vemos que se faz em alguns
comentários - mas, dadas oportunamente tais notícias enquanto podem
servir à exegese, ponham em evidência sobretudo a doutrina teológica,
dogmática ou moral, de cada livro ou texto. Desse modo a sua exposição
não só aproveitará aos professores de teologia ao exporem e provarem os
dogmas da fé, mas servirá também aos sacerdotes para a explicação da
doutrina cristã ao povo, e será útil a todos os fiéis para viverem uma
vida santa, digna de um verdadeiro cristão.
Tal interpretação prevalentemente
teológica, como dissemos, será meio eficaz para fazer calar os que se
queixam de não encontrar nos comentários bíblicos nada que eleve a mente
a Deus, alimente a alma, fomente a vida interior, e por isso dizem que é
preciso recorrer a uma interpretação que chamam espiritual e mística.
Quão pouco justa seja essa acusação, prova-o a experiência de muitos que
com frequente consideração e meditação da palavra de Deus têm
santificado as suas almas e se têm inflamado no amor de Deus; provam-no
claramente a constante prática da Igreja e os ensinamentos dos maiores
doutores. Certamente que nem todo o sentido espiritual se pode excluir
da Sagrada Escritura; pois que tudo o que foi dito e feito no Antigo
Testamento, foi por Deus sapientissimamente ordenado e disposto de modo
que as coisas passadas prefigurassem espiritualmente as futuras que
deviam realizar-se no Novo Testamento da graça. Por isso o exegeta do
mesmo modo como deve encontrar e expor o sentido literal das palavras
que o hagiógrafo pretendia exprimir, assim também deve indagar o
espiritual nos passos onde realmente conste que Deus o quis expressar.
De fato este sentido espiritual só Deus o pode conhecer e revelar. Ora,
indica-o e ensina-o o próprio Salvador nos evangelhos; e, seguindo o
exemplo do divino Mestre, usam-no os apóstolos falando e escrevendo;
aponta-o a constante tradição da Igreja; e, finalmente, o conhecido
princípio: 'A lei de orar é a lei de crer'. Esse sentido
espiritual por Deus pretendido e ordenado, descubram-no e exponham-no os
exegetas católicos com a diligência que requer a dignidade da divina
palavra; guardem-se, porém, escrupulosamente de apresentar como sentido
genuíno da Sagrada Escritura outros valores figurativos das coisas. Pode
sim ser útil, especialmente na pregação, ilustrar e persuadir as coisas
da fé e da moral cristã com uso mais largo do sagrado texto em sentido
figurado, contanto que se faça com moderação e sobriedade; mas é preciso
não esquecer que tal uso da Sagrada Escritura lhe é como que extrínseco
e adicional, e não deixa de ser perigoso; sobretudo em nossos dias,
porque os fiéis, e nomeadamente as pessoas cultas nas ciências sagradas
ou profanas, querem saber o que Deus disse nas Sagradas Escrituras, e
não tanto o que um fecundo orador ou escritor usando com destreza as
palavras da Bíblia, é capaz de nos dizer. "A palavra de Deus viva e
eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes, penetrante até
dividir alma e espírito, articulações e medulas, capaz de destrinçar
pensamentos e sentimentos do coração' não precisa de artifícios e
adaptações humanas para mover e abalar os corações; as Sagradas Páginas
escritas sob a inspiração do Espírito de Deus são de per si ricas
de sentido próprio; dotadas de força divina, são poderosas por si
mesmas; ornadas de supremo esplendor por si mesmas brilham e
resplandecem, se o intérprete com uma explicação fiel e completa sabe
desentranhar todos os tesouros de sabedoria e prudência que nelas estão
encerrados.
Para isso conseguir poderá o exegeta
católico auxiliar-se egregiamente do estudo inteligente dos escritos em
que os santos Padres e doutores da Igreja e os ilustres intérpretes das
épocas passadas comentaram os Livros Santos. Pois que eles, bem que
talvez menos fornecidos de instrução profana e de ciência linguística do
que os intérpretes dos nossos dias, contudo pelo lugar que Deus lhes deu
na Igreja, distinguem-se por uma suave intuição das coisas celestes e
por uma admirável perspicácia com que penetram até às mais íntimas
profundidades da divina palavra e tiram à luz quanto pode servir para
ilustrar a doutrina de Cristo e promover a santidade da vida.
Verdadeiramente é pena que tão preciosos tesouros da antiguidade cristã
sejam pouco conhecidos de muitos escritores do nosso tempo e que os
cultores da história da exegese não tenham ainda feito tudo para
aprofundar bem e apreciar devidamente uma coisa de tanta importância.
Preza a Deus que muitos se deem diligentemente a explorar os autores e
obras de interpretação católica da Escritura, e, extraindo as riquezas
quase imensas nelas acumuladas, concorram eficazmente para que se veja
melhor quão intimamente penetravam e quão bem explicaram os antigos a
divina doutrina dos Livros Santos; e os intérpretes atuais tomem daí
exemplo e aproveitem os preciosos materiais postos à sua disposição.
Assim efetuar-se-á, finalmente, a feliz e fecunda combinação da doutrina
e suave unção dos antigos com a mais vasta erudição e arte mais
progredida dos modernos, a qual decerto produzirá novos frutos no campo
nunca assaz cultivado das divinas Escrituras.” (Pio XII, Divino
Afflante Spiritu, 15, 16 e 17)
A língua
Quase todos os livros do Velho Testamento
foram escritos em hebraico, (exceto os livros da Sabedoria e o
segundo livro dos Macabeus, escritos em grego).
O Novo Testamento, ao invés, foi escrito em
grego, com exceção talvez do Evangelho de S. Mateus, que alguns
sustentam tenha sido escrito em língua siro-caldaica e traduzido para o
grego, possivelmente pelo próprio autor.
A literatura sagrada hebraica abrange um
período de mais de 1.000 anos, e isso explica as numerosas
transformações que ela apresenta. Podem-se distinguir três épocas da
língua hebraica: primeiro período, desde Moisés até o reinado de Saul
(1250-1010 a.C.); segundo período da fundação do reino até ao exílio de
Babilônia (1.000-586 a.C.); terceiro período, do exílio até a era cristã
(586 a.C. -1). O segundo período é considerado o da língua clássica, ao
passo que, no primeiro assinalam-se numerosos arcaísmos e, no último, -
época em que o hebraico torna-se uma língua morta e é usado somente nas
escolas e na liturgia, - encontram-se acentuadas infiltrações dialetais
aramaicas. A pronúncia tradicional do hebraico é conservada pelos
Massoretas, os quais acrescentaram os sinais vocálicos às consoantes.
O grego do novo Testamento não é clássico,
mas a língua popular espalhada por quase todo o mundo, a língua comum, a
koiné diálektos, que foi-se formando após a conquista de
Alexandre Magno até a fundação, por obra de seus sucessores, dos reinos
helenizantes nos países situados na bacia do Mediterrâneo. A língua dos
escritores neo-testamentários contém numerosos aramaísmos.
As Versões
Dentre as inúmeras Versões que a Sagrada
Escritura teve nos séculos, destacam-se - pela sua antiguidade e
autoridade - a tradução grega do Velho Testamento, cognominada
Alexandrina devido à localidade na qual se acredita tenha tido
origem, e a dos Setenta pelo suposto número de tradutores. Essa
Versão - feita entre os anos de 250-150 a.C. - gozou desde o princípio
de grande autoridade: foi usada pelos escritores do Novo Testamento,
adotada pela Igreja primitiva, e diversos Santos Padres dos primeiros
séculos consideraram-na inspirada.
A Igreja tem em grande apreço, dentre todas
as Versões da Bíblia, aquela latina, conhecidíssima sob o nome de
Vulgata, feita na sua quase totalidade por S. Jerônimo. Pelo
Concílio de Trento, foi declarada autêntica "no sentido que ela
deve ser chamada uma verdadeira fonte de revelação, em modo que não
somente seja impossível dela derivar alguma doutrina falsa da fé ou
alguma regra errônea de moral, mas também que positivamente ela exprime
com fidelidade tudo aquilo que pertence à substância da palavra
de Deus escrita".
Os sentidos da Sagrada Escritura
Por sentido da Sagrada Escritura
entende-se tudo aquilo que o Espírito Santo quis fazer conhecer aos
homens mediante os escritos dos hagiógrafos. Mas enquanto o homem não
pode exprimir as coisas senão com palavras e sinais equivalentes, Deus
pode dispor as coisas, os próprios acontecimentos e as próprias pessoas
para exprimir uma determinada verdade. Resulta, pois, um dúplice sentido
que é preciso ser considerado na Sagrada Escritura: o sentido literal
ou histórico - que pode ser próprio ou metafórico - dado pelas
palavras usadas no seu imediato significado, e o sentido típico
ou espiritual, que é próprio de algumas pessoas, de algumas
instituições, de alguns acontecimentos de que se trata na Bíblia, onde
as pessoas, os fatos e as instituições são usados para exprimir pessoas,
fatos e instituições de uma ordem mais elevada, ou seja a pessoa de
Cristo e tudo aquilo que se refere à sua obra de Redenção. O sentido
típico - que se deve admitir somente quando é afirmado pelo próprio Deus
através dos hagiógrafos ou pela unânime tradição eclesiástica chegada
até nós sob forma de ensino dogmático ou sob forma de manifestação
litúrgica, - é sentido entendido por Deus e, como o literal, é palavra
de Deus.
O sentido típico se divide em dogmático
(impropriamente dito alegórico), quando aponta verdades para
crer; moral ou tropológico, quando indica a prática a ser
seguida; anagógico quando registra os bens eternos que devemos
alcançar.
A esses dois sentidos, que são verdadeiros
e próprios sentidos da Sagrada Escritura, os teólogos costumam
acrescentar mais um: o sentido consequente, deduzido mediante
simples raciocínios sobre as palavras da Sagrada Escritura, e a ele
frequentemente se recorre no doutrinamento dogmático. Há também o
sentido acomodatício, quando se aplicam as palavras da Sagrada
Escritura a coisas diferentes daquelas entendidas pelo hagiógrafo.
Seguindo o exemplo da Igreja, que usa muito o sentido acomodatício na
sua liturgia, pode-se usá-lo com as devidas cautelas, e dentre estas a
de se conservar às palavras o seu genuíno sentido.
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