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Radio‑mensagem ao
Continente Americano, 12 de outubro, 1947
Caridade. Caridade é a palavra às vezes
usada livremente para significar uma espécie qualquer de atividade
benévola ou filantrópica. Mas caridade tem um significado sacro e
consagrado. A caridade é diversa de qualquer outro amor humano porque é
uma réplica do amor de Cristo para com o homem. "Dou‑vos um novo
mandamento, que vos ameis uns aos outros" "que vos ameis um ao
outro como Eu vos amei". Isto é caridade. São Paulo escreve aos
Romanos (15, 7) "Ajudai‑vos uns aos outros como Cristo vos ajudou
para a glória de Deus". Isto é caridade.
Amar‑vos‑eis uns aos outros, disse Cristo,
como Eu vos amei a vós ("não como amam aqueles que corrompem a
inocência ou a fé", comenta o imortal Agostinho (In Joannis Evang.
trat. 65 e 13 ‑ Migne PL t. 35 col. 1808‑1809); "não como os
homens se amam uns aos outros, simplesmente porque são membros da mesma
raça humana, mas como amam quantos sabem e professam que todos os homens
são filhos de Deus, filhos do Altíssimo no qual se deve formar e
aperfeiçoar à semelhança de irmão do único Filho gerado".
"Amar‑vos‑eis uns aos outros como Eu vos
amei." E que coisa amou Cristo no homem, senão Deus? Não no sentido
em que Ele encontrou Deus em cada homem, mas no sentido que Ele esperou,
através do amor, restaurar Deus em cada homem. Diz‑se que um doutor ama
o doente; mas então que é que ele ama no doente? Certamente não a
doença. Não, ele ama a saúde, que espera dar novamente ao paciente. A
caridade significa que vos ameis reciprocamente de modo tal a levar Deus
sempre mais na vida de cada um, de modo que ligados pelo Espírito do
Amor divino possam colaborar na formação de um corpo não indigno da
Cabeça divina.
À semelhança do viajante de que fala o
Evangelho, a raça humana caiu entre ladrões que roubam os seus tesouros
de fé e de amor e deixam‑na perecer na necessidade.
Leigos do mundo, avizinhai‑vos deste grande
inválido: E enquanto levais para ele o pão para nutrir o corpo e vos
esforçais pessoalmente para providenciar às suas variadas necessidades,
juntamente com o bom samaritano inclinai‑vos e tentai gentilmente lenir
suas feridas e verter sobre elas o óleo da mensagem consoladora de
Cristo. Sussurrai no ouvido, de há muito talvez surdo ao conselho
sacerdotal, palavras de encorajamento, de esperança e de paz e o exemplo
do vosso amor cristão apressará o dia em que uma vítima amargurada pela
dor ou pelo insucesso ou pela injustiça retornará àqueles que Deus
constituiu guardiões e médicos das almas.
Oh, nós sabemos o imenso bem que as
Conferências e as demais Caridades Cristãs estão fazendo em muitas
paróquias e Nós as abençoamos de todo coração. A caridade, porém, não
deve jamais olhar para trás, mas sempre para frente.
O número das obras realizadas é sempre
pequeno enquanto que as misérias presentes e futuras que ocorre
consolar, são sem fim.
Nós desejaríamos ver todos os jovens unidos
na mente e no coração em alguma obra de caridade cristã. Não se trata de
dar dinheiro: trata‑se de dar a si mesmos. Tal apostolado
reavivar‑lhes‑ia a fé, daria direção e estabilidade a uma correta
atitude diante das coisas frívolas da vida, acordaria a potência do
exemplo e contribuiria potentemente para remediar os males da
desigualdade social e de raça. Ó coração misericordioso de Jesus, verte
o teu amor e conforto na vida dos pobres, dos sofredores, de quantos
estão afligidos no corpo e na alma, de quantos são membros caros do Teu
Corpo. |