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Discurso aos esposos, 24 de novembro e 8 de
outubro, 1941.
O rosário, segundo a etimologia própria da
palavra, é uma coroa de rosas; encantadora coisa, que em todos os povos
representa uma oferta de amor e um sinal de alegria. Mas estas rosas não
são aquelas das quais se adornam apressadamente os ímpios, dos quais
fala a Sagrada Escritura "Coroemo-nos de rosas - exclamam eles -, antes
que murchem". As flores do rosário não se envilecem; o seu frescor é
incessantemente renovado pelas mãos dos devotos de Maria, e a
diversidade das idades, dos países e das línguas dá àquelas rosas a
variedade de suas cores e de seus perfumes.
Queremos que aumente a devoção ao Santo
Rosário de Maria, devoção a que a piedade ligou-se por tantas
recordações e que se harmoniza tão bem com todas as circunstâncias da
vida doméstica, com todas as necessidades e disposições de cada membro
da família.
Rosário dos novos esposos, que um ao lado
do outro recita na aurora da nova família, diante da vida que se abre
com as suas alegres previsões, mas também com os seus mistérios e com as
suas responsabilidades. É tão doce, na alegria destes primeiros dias de
intimidade total, colocar em tal modo esperanças e propósitos do futuro
sob a proteção da Virgem toda pura e potente, da Mãe amante e
misericordiosa, cujas alegrias, dores e glórias passam diante dos olhos
da alva devota, enquanto se seguem as dezenas de ave-marias, rememorando
os exemplos da mais santa das famílias!
Rosários das crianças; rosário dos
pequenos, que tendo entre os seus minúsculos dedos ainda inexperientes
os grãos da coroa, repetem lentamente, com aplicação e esforço, mas
também com amor, os pai-nossos e ave-marias, que a mãe pacientemente
lhes ensinou, errando, é verdade, por vezes, hesitam, confundem-se; mas
é tão confiante o candor de seus olhares que fixam sobre a imagem de
Maria, daquela na qual já sabem reconhecer a sua grande Mãe do céu! Pois
será o rosário da primeira comunhão, que tem um lugar à parte entre as
recordações daquele grande dia; belo, mas não tanto quanto, por vezes
deveria ser. Belo rosário, mas não apenas um vão objeto de luxo, mas
pelo contrário o instrumento que ajuda a orar e lembra, tornando
presente ao pensamento: Maria.
Rosário da jovem, já grande, alegre e
serena, mas, ao mesmo tempo, séria e pensativa do seu futuro; que confia
a Maria, Virgem Imaculada, prudente e benigna, os desejos de dedicação e
o dom de si, que ela sente desabrochar no coração; ora por aquele jovem,
ainda desconhecido para ela, mas conhecido por Deus, que a Providência
lhe destina, e ela queria semelhante a si, cristão fervoroso e generoso.
Este rosário, que ama recitar aos domingos,
juntamente com as suas companheiras, deverá durante a semana recitá-lo
talvez entre os cuidados da casa, ao lado da mãe, ou entre as horas de
trabalho no escritório, ou no campo, quando tiver um momento para ir à
humilde igreja mais próxima.
Rosário do jovem, aprendiz, estudante,
agricultor, que se prepara, trabalhando corajosamente, para ganhar um
dia o pão para si e para os seus, coroa que ele conserva preciosamente,
como uma proteção daquela pureza que quer levar intata ao altar no dia
das núpcias; rosário que recita sem respeito humano nos momentos livres
para o recolhimento e a oração; que o acompanha sob o uniforme militar,
em meio das fadigas e das lutas da guerra, que aperta uma última vez, no
dia em que a pátria talvez lhe peça o supremo sacrifício, e que os seus
companheiros de armas encontrarão comovidos entre os seus dedos frios e
sangrando.
Rosário da mãe de família, da operária ou
da camponesa; simples, sólido, usado já desde muito tempo, que ela não
poderá talvez pegar senão à tarde, quando, bem cansada de sua jornada,
encontrará ainda em sua fé e no seu amor a força de recitá-lo, lutando
com o sono, para todos os seus caros, por aqueles especialmente que sabe
mais expostos a perigos da alma ou do corpo, que teme tentados ou
aflitos, que vê com tanta tristeza se afastarem de Deus. Rosário da
mulher do mundo, talvez mais rica, mas muitas vezes carregada de
preocupações e de angústias ainda mais pesadas.
Rosário do pai de família, do homem
trabalhador e enérgico, que jamais esquece de trazer consigo a sua
coroa, juntamente com a caneta-tinteiro e o caderninho de notas; que,
grande professor, renomado engenheiro, célebre clínico, advogado
eloquente, genial artista, agrônomo experiente, não se envergonha de
recitá-lo com devota simplicidade nos breves momentos arrancados à
tirania do trabalho profissional, para ir retemperar a alma de cristão
na paz de uma igreja, aos pés do tabernáculo.
Rosário dos velhos; velha vovó, que faz
incansavelmente correr as contas entre os dedos enrugados, no fundo da
igreja, até quando ela para ali puder arrastar-se com suas pernas
enrijecidas, ou durante as longas horas de forçada imobilidade sobre a
cadeira, ao lado do fogão. Velha tia, que todas as suas forças consagrou
ao bem da família, e agora, aproximando-se o término de sua vida, toda
empregada em boas obras, alterna, inexaurivelmente, em sua dedicação, os
pequenos serviços que ainda pode prestar, com as numerosas dezenas de
ave-marias, que diz sem cessar, com o seu terço.
Rosário do moribundo, nas horas extremas,
como um último apoio apertado em suas mãos trementes, enquanto ao lado
os seus caros o recitam em voz baixa; rosário que permanecerá sobre o
peito dele, juntamente com o crucifixo, para atestar a sua confiança nas
misericórdias divinas e na intercessão da Virgem, da qual estava pleno
aquele coração que cessou de bater.
Rosário, finalmente, da família inteira,
recitado em comum por todos, pequenos e grandes; que reúne à tarde, aos
pés de Maria, aqueles que o trabalho do dia tinha separado e disperso;
que os reúne com os ausentes e os desaparecidos; a recordação se reaviva
em uma oração fervorosa, que consagra deste modo a ligação que os reúne
todos sob o cuidado materno da Imaculada Rainha do Santíssimo Rosário.
Em Lourdes, como em Pompéia, Maria quis
mostrar, com inumeráveis graças, quanto lhe é agradável esta oração, à
qual Ela convida sua confidente Santa Bernadete, acompanhando as
ave-marias da criança, com o lento correr de seu belo rosário, reluzente
como as rosas de ouro que brilhavam sobre seus pés. |