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Televisão: análise e
alerta
Que os programas de TV em geral
estejam em baixo nível moral, todos sabem. Que os comerciais
constantemente façam apelo ao sexo e insinuem a imoralidade, todos
lamentam. Que as novelas, elas principalmente, sejam contínua
pregação do amor livre, das brigas e desentendimentos familiares e
da infidelidade conjugal, todos reclamam. Não há quem não proteste
contra essa dissolvência da família promovida sistematicamente por
esse meio de comunicação que poderia ser tão útil na educação se
fosse usado criteriosamente.
O mal é que a maioria reclama mas
continua contemplando extasiada e hipnotizada a telinha que tanto
lixo despeja no seio das famílias.
Mas, o que é pior, são os prejuízos
causados pela TV na alma das crianças.
Numa entrevista publicada pela revista
“Diálogo médico” (ano 15, nº 3, 1989), dos produtos Roche, a
sexóloga Maria Helena Matarazzo, terapeuta e consultora
internacional da UNESCO, analisa as péssimas influências da TV na
psicologia infantil. Eis alguns trechos da entrevista:
“... Moças bonitas, de roupas
reduzidas, elas invadem as telinhas de milhões de lares brasileiros,
esbanjando sensualidade. A criança adora e as mães também, já que
basta apertar o botão do televisor para garantir o trabalho dedicado
dessas babás que, aparentemente, nada exigem. Mas só aparentemente
mesmo, porque a carga de erotismo despejada sobre os pequenos
telespectadores pode dar problemas futuros... Tudo isso é
supervalorização do erotismo, fator que, certamente, gera
distorções”.
“A motivação erótica precoce,
influenciada pelos meios de comunicação de massa, das Xuxas que
estão aí, mostrará suas conseqüências dentro de alguns anos...
Também as novelas que as crianças assistem e acostumam-se a ver quem
transa com quem, ressaltando-se que esse alguém dificilmente é
marido ou esposa...”
“A hiperexcitação, eventualmente, pode
levar até ao consumo de droga, porque o adolescente acostumou-se a
um pique muito grande, quer cada vez mais e, certamente, não vai
encontrar tanta agitação, tanta fantasia, na vida real... É uma
loucura de imagens, de informações e questionamentos... A utilização
de drogas pode ser uma das conseqüências da hiperestimulação. O
jovem quer cada vez mais e acaba resolvendo fazer coisas
“extraordinárias”, coisas que fogem ao comum, pois uma vida
rotineira não lhes basta”.
“Vejo que os pais ficam perdidos, uns
se preocupam, outros nem percebem...”.
É um sério brado de alerta aos pais e
educadores.
Perversão programada
Em um artigo publicado no Globo de 22
de Setembro último, a atriz Maria Zilda, que interpreta a Ângela na
novela “Bebê a Bordo” da TV Globo, explica sem rodeios os objetivos
da novela: mudar a mentalidade das pessoas, quer dizer,
pervertê-las: “descobrir que, além do moderno, é super natural
(a mãe) odiar uma filha. E vice-versa”. E continua ela:
“na minha opinião pessoal (e empírica), o maior mérito
dessa novela é tornar naturais fatos considerados culposos, como
sexo em situações variadas”.
Não é de causar espanto? Isso significa
que a perversão da infância e da juventude é programada, idealizada.
Este aparelho, hoje tão comum – não há
barraco que não o possua – com tantos atrativos artísticos e
técnicos, visuais e auditivos, que poderia ser usado para a boa
educação, tornou-se uma maldosa babá eletrônica diante da qual a
infância e a juventude não só se embotam intelectualmente mas também
se pervertem moralmente.
As novelas – verdadeira propaganda do
amor livre, claramente dissolventes da família – os filmes e
comerciais, incitamento à imoralidade, as cenas contínuas de sexo e
violência, tudo isso, agravado pelo vício do vídeo, penetra como que
por osmose nas mentes jovens, confirmando o apelido que os
americanos deram à TV “The Plug in Drug”, a droga eletrônica.
Escândalo, teologicamente falando, é o
ato de levar outros ao pecado. E, para quem escandaliza a infância e
a juventude, Nosso Senhor disse ser melhor que dependurasse uma mó
de moinho ao pescoço e se lançasse no fundo do mar.
Enfim, a visão do mundo transmitida
pela televisão – o que se pode chamar de mentalidade da televisão –
ignora Deus. Incute um ideal de vida feliz, sem Deus. É, portanto,
não só agnóstica mas claramente propulsora do ateísmo prático.
Que tremendo fator de dissolução da
família e da sociedade se tornou a televisão! Que terrível
responsabilidade dos pais de família! Você já pensou nisso? Saiba
que também é responsável diante de Deus.
Refletindo sobre a
televisão
Em nosso último artigo procuramos dar
um alerta aos pais de família sobre os prejuízos da TV na psicologia
infantil.
E o título do artigo de hoje põe juntas
duas coisas antagônicas, porque um dos males conseqüentes do hábito
da televisão é a perda da capacidade de reflexão e raciocínio: tudo
já vem pronto, enlatado. Convite à preguiça e à burrice!
E, levando-se em conta que, segundo as
estatísticas, o brasileiro passa em média, diante da TV, 40% do
tempo em que está acordado, conclui-se que a TV se tornou na família
a principal formadora de mentalidade. E lamentavelmente, a grande
deseducadora. Pois os valores que ela prega não são nada cristãos,
nada educativos. É a violência, é o erotismo, é o consumismo e o
materialismo. Nas novelas, por exemplo, quase todos os tipos são
desajustados. O “padre da novela” é uma caricatura do verdadeiro
padre, a esposa da novela é leviana (geralmente antipática em
contraposição à amante muito mais simpática), o pai idem, os
adolescentes, são revoltados, o casamento “dura menos que um
vestido”, a fidelidade conjugal é considerada superada, e assim por
diante.
Não foi portanto fora de propósito que,
em recente pesquisa na Inglaterra para saber o que o povo gostaria
de desinventar, um dos itens mais votados foi a Televisão! O
progresso custou muito caro. Os prejuízos que causa na família são
muito maiores que os possíveis benefícios.
A TV destruiu a mesa da família, aquela
tranqüila união entre pais e filhos, para conversarem, para se
entenderem, para se ouvirem. A TV reúne mas não une a família.
Destruiu o diálogo dentro do lar. E, pior ainda, aniquilou o
encontro da família com Deus através da oração. E sem conversar
ninguém se entende e sem união com o Senhor a família desmoronará. E
não será por isso que presenciamos a tantas famílias desentendidas,
separadas após poucos meses de fundação?!
Os maus exemplos das novelas, dos
filmes eróticos, dos programas sensuais e das piadas com duplo
sentido, os comerciais que fazem apelo à imoralidade e à liberdade
dos costumes, entram pelos olhos, pelos ouvidos e coração. E, de
tanto ver e ouvir, chega-se à convicção de que o certo da vida é
isso mesmo...
Alguns leitores talvez me acharão
exagerado. Gostaria de ter sido. Mas, infelizmente, essa é a
perfeita realidade. Só não vêem os cegos voluntários.
Citado do livro Quer agrade Quer
desagrade do Pe. Fernando Arêas Rifan, disponível para baixar no
Especial Campos do
Site da
FSSPX do Brasil. |