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Uma coisa que se recorda sempre com agrado,
quando se chega à velhice, é o tempo da juventude. Tenho visto homens
amadurecidos em anos e reservados emocionarem-se logo que a conversação
caia sobre os seus primeiros anos. E por que? Porque a juventude é o
mais belo tempo da vida. Entre as estações, a primavera é a mais
agradável; é a época do desenvolvimento e da floração das plantas. A
juventude é também a primavera da uma vida. Repara numa planta nova:
está cheia de vigor, ávida de crescimento, transbordante de seiva!
Contempla um jovem: para ele o mundo tem cada dia aspectos novos; a sua
imaginação é fresca, a memória viva; compraz-se no presente, mas fazendo
admiráveis projetos para o futuro! Há traços de semelhança entre a
planta e o jovem: são ambos estudantes de vida e em plena floração
primaveril!
Além disso, a juventude é ainda bela,
porque as mil preocupações da existência não afloraram ainda à sua alma.
"Como assim?" - exclamarás. "Eu tenho as minhas preocupações
tal qual como os outros! São os meus problemas de matemática, os meus
exercícios de latim, os meus..."... - Ah! meu filho, se nunca
tivesses outras preocupações senão essas, a terra seria o paraíso! Sim,
o paraíso! Porque tu não tens o direito de dizer que conheces as
amarguras da vida, que já experimentaste as suas aflições e os seus
tormentos. Mas, quando te falo de uma juventude sem preocupações, não
quero dizer uma juventude desleixada. Ausência de preocupações e
desleixo são dois termos que não significam de modo algum, como muitos
jovens imaginam, uma e a mesma coisa. E os que assim pensam são
precisamente os que utilizam mal a sua juventude, os que malbaratam, com
uma leviandade incrível, um tempo que não mais voltará. Todavia, se não
se tirar proveito da juventude, conforme o plano de Deus que quer que
ela seja um tempo de preparação para a idade madura - o tempo dos frutos
- esta juventude não será senão um sonho confuso, nebuloso, que mais
tarde, será seguido de um despertar muito doloroso. - Não esqueças,
pois, meu filho, que a juventude passa tão depressa como o vento e a
flor: "Ut flos vel ventus, sic transit nostra juventus".
Eu bem sei que "mesmo o justo cai sete
vezes ao dia" e que um jovem conhece muitas quedas e muitas recaídas
de ordem moral. É isso bem triste. Mas é a sorte da humanidade, e não há
motivo, por causa disso, de falar da corrupção da juventude. Não
desespero senão do caráter que recua covardemente, sem lutar, diante das
más inclinações de que nenhum homem está isento, que, embora consciente
da imperfeição de sua alma, não tem interesse algum em a melhorar, que
não toma a sério a sua auto-educação. O meu ideal é o jovem de
caráter nobre e puro que sabe concentrar a sua vontade para a luta,
segurar a rédea dos sentidos, vencer a frouxidão e a moleza, que,
conhecendo o valor de sua alma - única e imortal - não teme combater
para a conservar pura, que cultiva o seu coração e a sua inteligência, e
que sabe sorrir alegremente diante dos trabalhos mais difíceis. O meu
ideal é o estudante mais aplicado ao estudo, mais fervoroso na oração, e
o mais ardente no jogo?
O que queres tu vir a ser? |