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O abatimento e o desânimo vêm, muitas
vezes, do fato de os jovens não saberem distinguir o esforço
perseverante do simples desejo.
Lamentam-se com sem-cerimônia, dizendo:
"Quantas vezes eu tentei corrigir-me de tal defeito! Quantas vezes
procurei tornar-me melhor! Quantas vezes quis fazer isto ou aquilo!... E
nada - aquilo não ia!".
Eu ouso afirmar que estes jovens não
quiseram esforçar-se real e seriamente. Eles somente pensaram que
no futuro seriam melhores porque "queriam" sê-lo: e nunca fizeram
nada para atingirem tal objetivo. Há uma diferença enorme entre "eu
quereria" e "eu quero". O primeiro é um soldado de papel
amassado que não intimidará ninguém, muito menos os seus defeitos. O
segundo, pelo contrário, é uma força capaz de vencer o mundo, e que
saberá esmagar todos os seus defeitos. Numa radiosa tarde de Maio, um
jovem estudava junto de sua janela aberta. De repente, um escaravelho
penetrou no quarto e foi cair sobre a mesa. O pobre inseto tinha caído
de costas, e o estudante pôs-se a observá-lo.
Que iria fazer? O escaravelho andava à
roda, esperneava, mas sem conseguir endireitar-se. É o "eu quereria".
- "Se eu fico assim, morrerei de fome, ou alguém virá a esmagar-me"
- pensaria ele. - Mas ei-lo que chega, após grandes esforços, a
desunir as laminazinhas das azas, sobre as quais estava deitado, e a
estendê-las. Zumbiu furiosamente, rebolou-se com todas as forças... e
ei-lo de lado. - "Não é ainda o momento de descansar. Se o fizesse,
estaria perdido" - diz. - Recomeça trabalho..., põe-se sobre
as patas..., retoma o voo para um novo destino, para o céu azul. A isto
chamo "eu quero"...
O escaravelho foi-se embora, mas ensinou-te
a diferença entre o "eu quereria" lamentável, e o "eu quero"
triunfante!
"Tentei... mas aquilo não ia!" -
Desculpa, meu amigo, é preciso que eu te diga francamente a minha
opinião: isso não é verdade, tu não tentaste. Somente te disseste que
seria bom tentar. Tu és destes fracos, destes inconstantes - há tantos
no mundo! - que não ousam agarrar as suas paixões pelas guelas - com
inexorável firmeza. E, todavia, seria o único meio de te libertares do
seu império sobre ti.
"Tentei". - Mas então porque
voltaste a cabeça para tornar a ver o fruto em que não querias mais
tocar?... Sabias bem, por experiência própria, que o ressaibo deste
fruto é muito amargo, e, não obstante, querias conhecê-lo de novo...
Sim, porque enfraquecias cada dia um pouco na boa resolução que tinhas
tomado com tão grande entusiasmo?
Julgas que Cristóvão Colombo teria
descoberto a América, se ele se tivesse deixado desanimar pelos
primeiros fracassos? Não teve ele de pedir auxílios em diferentes países
para fazer face às despesas da viagem? Troçavam dele, chamaram-no
aventureiro, apelidaram-no de fanático. Mas ele agarrava-se
apaixonadamente ao seu projeto. Não tinha ele todas as razões para crer
que, do outro lado dos mares - pois que não podia ser tudo oceano -
devia haver um continente desconhecido?... Empreendeu a sua grande
viagem de exploração, quando os seus contemporâneos julgavam que não
mais o tornariam a ver.
"Nil tam difficile, quod non solertia
vincit". - Não há obstáculo que a habilidade não possa vencer.
Levanta-te, pois, e
para a frente!
Tu és um coração juvenil.
Hás-de sempre ficar vencedor,
Embora sejas só, contra mil!
(Goethe)
Farias bem, se adotasses a divisa da ilha
holandesa chamada Seeland. A maior parte desta ilha está abaixo do nível
do mar, e só a custo de trabalhos penosos e contínuos ela pode
defender-se da invasão das águas. Mais de uma vez ela ficou vencida
nesta luta contra o mar, e o oceano invadiu-a... Não obstante isso, ela
tem no seu brasão a famosa legenda: "Luctor et emergo!" - Luto,
mas emerjo! |