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Donde virá este poder das pequenas
coisas?... No mundo nada se perde sem deixar sinal de si. Cada
pequeno incidente - ainda que não seja senão uma fração ínfima da
unidade constituída pela nossa vida - concorre com a sua pequenina
quota - parte para formar os nossos hábitos. Tanto pode-nos habituar
a agir santamente como a deixar-nos arrastar para o pecado. Após um
certo número de ações virtuosas, a virtude torna-se fácil; mas o
pecado atrai também, e irresistivelmente, todos aqueles que se
habituaram a uma vida pecaminosa.
Quanto mais perfeita uma coisa é, tanto
mais atenção exige nos seus pormenores. Os homens das primitivas
eras só vagamente conheciam o universo, mas entreviam já as suas
proporções gigantescas, e estas faziam-nos cair de joelhos diante do
Criador. Quanto mais firme é a homenagem que nós prestamos a Deus,
depois, que, com o auxílio de telescópios e microscópios, somos
capazes de penetrar, nos seus pormenores, o mecanismo da Criação, e
que a nossa razão se detém, muda de espanto, diante da incrível
perfeição da ordem, da harmonia e da conexão que reinam no universo!
- Que esta precisão, em todos os
pormenores, que caracteriza as obras de Deus, seja o modelo do nosso
caráter!
Considerada sob este aspecto, a mais
pequena coisa encontrará no teu espírito a importância que merece.
- Começas já a ver a força educativa da
observância de um preceito que poderia até aqui parecer-te de
pequena importância, como, por exemplo, o do jejum que a nossa
religião santa nos impõe. Desde já também, darás mais importância às
pequenas coisas. - Durante uma excursão, procurarás ficar algum
tempo - pouco que seja - sentado ao pé de uma fonte antes de matar a
sede.
- Se tomaste conhecimento de alguma
coisa interessante e ardes no desejo de a transmitir a teus
companheiros, obrigar-te-ás a não ir contar-lha imediatamente. - Não
irás, de futuro, para satisfazer a tua curiosidade, precipitar-te na
multidão que se aglomera na rua. Constrangendo-te nestas coisas,
terás realizado um trabalho sério no intuito de libertar a tua
vontade da escravidão de teus instintos.
E desde já poderás também dar-te conta
de que, quando a religião católica te fala tanto de renúncia e de
auto-domínio, está longe de pretender contrariar os teus sucessos e
o teu triunfo na vida. Ao contrário, ela não intenta senão ajudar-te
a levar uma vida verdadeiramente digna de um homem, senão
procurar-te a verdadeira liberdade. Aquele que não se exercitar na
renúncia, não poderá ser verdadeiramente piedoso, porque as almas
verdadeiramente piedosas devem, cada dia, triunfar da matéria, do
seu corpo.
"Todas as coisas recebem o selo da
grandeza ou da pequenez de suas consequências e de seus efeitos
- diz o barão Wesselényi - e uma coisa que produz resultados
importantes não será nunca uma bagatela, por pequena que ela seja".
Acreditar-me-ás, se eu te disser que,
um dia, se perdeu uma batalha por causa... de um prego? O cavalo do
general estava mal ferrado - faltava um cravo na ferradura. Ora,
aconteceu que se arrancou um outro cravo; o animal, enervado, chocou
de encontro a um obstáculo; o oficial, tendo caído desastrosamente,
foi preso pelo inimigo e fuzilado; as suas tropas, por falta de
chefe, perderam a batalha... Sim, um desastre por falta de... um
cravo na ferradura! |