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Nunca mentir! Aqui está um importante
dever que exige muita firmeza. - De todas as criaturas, só o homem
recebeu o dom da palavra. O papagaio sabe imitar as palavras
humanas, mas só o homem é capaz de criá-las.
Não sentes já a responsabilidade que
esta faculdade excepcional acarreta ao homem? Porque, se a palavra é
um direito exclusivo seu, é também seu dever usar dele
convenientemente. "Em verdade vos digo, no último juízo, os
homens darão conta de cada palavra inútil que tiverem pronunciado"
- declarou Jesus Cristo (Mat. XII, 36). E Nosso Senhor não se
contentou com ensinar esta verdade - deu Ele mesmo o exemplo. Lendo
os Evangelhos, não podes deixar de notar a ponderação, a dignidade e
a nobreza das palavras que saíam de Seus lábios.
O animal urra, berra, pia, - mas não
fala. A sua voz é um fruto sem caroço. A palavra humana, essa, tem
caroço, alguma coisa que faz mal ou bem, que estraga ou repara, que
ofende ou causa agrado - e é isto o que dá à palavra pronunciada
enorme responsabilidade.
Aquele que não reflete antes de falar
está muito longe de ser um caráter. O ideal da educação cristã é
formar um jovem que sabe ser delicado sem lisonja, franco sem
grosseria, modesto sem ser desajeitado, dedicado sem inconstância, e
fiel a seus princípios sem ofender outrem. O sol executa o seu curso
celeste com um brilho sem mancha e uma regularidade sem mistério; o
rosto dos homens alegra-se ao voltar-se para ele, e nele bebe força,
alegria e vida. O justo é um sol vivificador da sociedade; faz-nos
bem ver que assim é, e podemos sempre estar seguros de que não
sofreremos decepção.
Não poderá dirigir-se a um jovem melhor
louvor do que dizer dele: "tem plena consciência da
responsabilidade de suas palavras. Nunca brinca com a língua.
Podemos sempre fiar-nos no que ele diz! Fala sempre com delicadeza,
e nunca se afasta da verdade!". |