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Os jovens estudantes exclamam, muitas
vezes, ao receberem uma nota má: "Não há dúvida - não tenho
sorte!". E se algum de seus companheiros faz rápidos progressos,
apressam-se a julgá-lo: "aquele imbecil tem sempre sorte!".
Todavia o bom êxito não é somente fruto
da sorte; e aquele que não conta senão com ela assemelha-se
exatamente àquele outro que esperava, de boca aberta, que do céu lhe
caísse um bife nas goelas. Sim, se queremos ser alguma coisa na
vida, é necessário não confiar na sorte, mas apanhá-la à passagem e
segurá-la com a mão firme.
Não tens tu ao teu serviço um
verdadeiro batalhão de operários? Os teus dois braços com bons
músculos, os dez dedos tão ágeis, os teus pés infatigáveis, os teus
olhos de visão tão rápida e penetrante, os teus ouvidos sempre
atentos, não estão, acaso, sempre prontos a obedecer-te? Depois, é
ainda o teu cérebro, cheio de lucidez, maravilhosos centro de
laboração munido de uma rede admirável de fios telegráficos e
telefônicos, onde chegam e são classificadas as operações dos cinco
sentidos - mais de cem por minuto. Que necessidade tens tu de
auxílio alheio? Por que estás à espera que Luís te sugira a lição de
história, em vez de a estudares a fundo por ti mesmo? Porque
pretendes que, no fim dos estudos, seja o primo de tua madrinha a
procurar-te uma colocação, em vez de a mereceres com o teu esforço?
Crê-me: um homem que raciocina assim na
sua juventude em nada contribuirá para a glória da pátria nem para o
bem da sociedade.
Os muçulmanos citam com frequência este
provérbio: "Todo o mundo pertende a Deus, mas Ele dá-o de
arrendamento aos valorosos". Isto quer dizer que de modo algum
convém ao jovem esperar a sorte de mãos postas, nem correr atrás de
proteções, mas que lhe importa preparar-se ele próprio o seu futuro
por um trabalho inteligente e aturado.
"Multa tulit fecitque puer, sudavit
et alsit" - recomenda-nos Horácio. Nas lutas da vida, não se
poderá ser vencedor, se não se tomou a firme resolução de triunfar,
e se não se retoma o trabalho com nova energia, após cada tentativa
infrutuosa.
Sim, o que mais importa não é a sorte,
nem mesmo os talentos pessoais: é o gosto do trabalho
consciencioso e aturado. As praias do mar da vida estão povoadas
de tristes naufrágios que, tendo notáveis talentos, não tiveram
coragem, força de vontade e perseverança, enquanto outros, muito
menos prendados, mas de vontade forte e tenaz, caminharam à
maravilha para o porto. |