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Em muitas pessoas, a natureza não favorece
este trabalho tenaz e sem descanso. Falo daqueles que se entusiasmam
facilmente, como o lume da palha, e que não sabem ficar tranquilamente
sentados ao pé de um trabalho metódico. Durante a guerra de 1914, os
homens com tal temperamento caminhavam para o ataque com invencível
heroísmo, sem a menor preocupação do que poderia acontecer-lhes - a
perda da vida; mas ficar inativos, semanas inteiras, no fundo de uma
trincheira, não lhes agradava nada. E, todavia, é na trincheira que se
prepara a vitória.
Também, na vida, não são os impulsos
heróicos nem os entusiasmos momentâneos que nos fazem triunfar, - é o
trabalho perseverante e contínuo durante anos e dezenas de anos. Tal
trabalho pode, a princípio, parecer árduo; mas é necessário que nele te
mantenhas, custe o que custar. Foi esta paciência inabalável que elevou
as pirâmides do Egito a custo de um trabalho incrível; foi ela que fez
escrever e recopiar aos monges da Idade Média as obras clássicas gregas
e latinas à luz mortiça de candeias de azeite, durante toda a sua vida;
foi ela ainda que, depois de experiências infrutuosas de muitos séculos,
acabou por descobrir as leis das forças da natureza e as pôs ao serviço
da humanidade, umas após outras. O saber, a instrução, a ciência, o
progresso, são frutos da paciência.
O grande compositor Haydn tinha
muita razão para dizer: "O segredo da arte consiste e concentrar
todas as forças no que resolvemos fazer".
Vale mais não começar sequer um trabalho do
que saltar de um projeto ou de um trabalho a outro projeto ou a outro
trabalho.
É uma grande desgraça para um rapaz ser
incapaz de trabalhar metodicamente e sem se cansar; porque é o esforço
moderado, mas contínuo, que está na base de todo o progresso, e não o
entusiasmo que dura o tempo de um fogo de palha.
Com que energia o estudante preguiçoso se
entrega ao estudo, antes do exame! Mas que vale este impulso de alguns
dias, depois de dez meses de preguiça?
Fazias bem, meu filho, se seguisses a
divisa dos cavaleiros polacos do século XVII: "Vicisti? Vince!" -
Venceste? Muito bem! Alegra-te com isso! Mas não te orgulhes
exageradamente! Continua a lutar e a vencer! |