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Um jovem teimoso!... Dá-se hoje a estas
palavras um significado estranho. Quase não servem senão para
designar alguém como agressivo, cabeçudo, desobediente. Quanto a
mim, prefiro dar a esta expressão o significado original: por jovem
teimoso, entendo um jovem que tem vontade de ferro. A caturrice e a
obstinação não são fruto de uma vontade de ferro - são uma contorção
da vontade. Um jovem teimoso, no verdadeiro sentido da palavra, é
aquele que sabe imperar aos seus músculos facciosos, aos olhos, ao
ouvido, ao estômago.
Examinemos mais de perto que
infelicidade não é para alguém ter apenas vontade fraca, e,
inversamente, que bênção seria tê-la de ferro.
1º Aquele que não tem a vontade bem
exercitada e bem dócil, é incapaz de desempenhar uma missão
séria, seja ela qual for. Conheces, decerto, estudantes que não
podem ser acusados de preguiçosos, e que, não obstante, não fazem
progressos em seus estudos. Batizei-os acima: "estudantes
zangões".
Trabalham muito estes infelizes -
talvez mais que os outros - mas sem resultado algum. Não sabem o que
é estudar atentamente, ocupam-se de tudo, sem nunca se ligarem
decididamente a uma coisa. Têm sempre diante de si um livro de
estudo, mas substituem-no cada quarto de hora, por o acharem já "horrivelmente
insuportável"! Estão sempre trabalhando, mas evitam fazer o mais
leve esforço; e, sem esforço, não há trabalho eficaz. Em suma, não
fazem mais que dissimular habilmente a preguiça dando-lhe a
aparência de febril atividade. Chegado, porém, o fim do ano - como
eles se lamentam amargamente! "Trabalhei tanto - dizem eles -
e, não obstante, fiquei reprovado!".
E, uma vez deixados os estudos, que se
tornam eles?... Vítimas de suas impressões de momento, homens sem
princípios, que esquecem facilmente os seus deveres, que levam uma
existência ao acaso e sem destino. Infelizes! E qual foi o defeito
que ali os conduziu? A fraqueza de vontade.
2º Passemos a outro tipo: ao jovem cuja
vontade não é disciplinada... "Esse tal é incapaz de examinar uma
coisa a fundo".
E, todavia, todo aquele que quiser
aumentar o número de seus conhecimentos ou conhecer o triunfo, deve
habituar-se a uma observação rápida e perfeita das coisas. Para lá
chegar, é necessariamente preciso ter a vontade disciplinada - para
vir a saber distinguir o que é mais importante daquilo que o é
menos, para fazer uma ideia exata da situação em que se encontra e
agir com lógica e consequência...
Uma vontade disciplinada não está
somente ao nosso serviço quando se trata de ver, ouvir, dizer ou
fazer alguma coisa; ela obedece-nos e preserva-nos de muitas quedas,
quando nos é necessário não olhar, não escutar, não dizer e não
fazer aquilo que os nossos sentidos depravados quereriam e que as
leis da moral nos proíbem.
3º Vou mais longe: aquele que não tem a
vontade disciplinada não pode refletir nem desenvolver o seu
espírito. Para se chegar à verdade é preciso trabalhar com
firmeza e persistência. Um jovem de natureza instável é impaciente,
mesmo quando lê. Volta agitadamente as folhas do livro: deseja
chegar à última o mais brevemente possível. Isso nada lhe aproveita.
O jovem de vontade dócil, ao contrário, lê lenta e atentamente;
demora-se nas frases mais importantes e sublinha-as; não aceita ao
acaso as ideias que contêm, mas reflete sobre elas seriamente para
verificar se o autor tem ou não razão; toma nota das passagens mais
interessantes, etc. Somente assim se podem adquirir conhecimentos
novos. Também isto supõe uma vontade firme.
4º É ainda preciso uma vontade forte
para recordar as coisas. Há estudantes que julgam ter saído de
embaraços quando, em vez de responderem à pergunta, afirmavam sem
hesitar: "Eu sei, senhor Professor, mas agora não me lembro"...
ou ainda - se lhes confiaram um trabalho que esqueceram - que supõem
ser o "esquecimento" uma justificação aceitável... E, no
entanto - à parte casos de doença de nervos - o hábito de esquecer
as coisas deve ser escrito, a maior parte das vezes, no capítulo da
vontade indisciplinada. Se uma palavra, um nome ou um acontecimento
não te vierem ao espírito, não olhes imediatamente para o livro - é
o que fazem os estudantes preguiçosos - mas esforça-te por os
recordares, afirmando assim a tua vontade. E se te derem uma
incumbência qualquer, não te contentes com fazer um nó na ponta do
lenço para te recordares, mas pensa nela frequentemente, muitas
vezes no dia, e verás que não a esqueces.
O esquecido que faz isso facilmente se
corrigirá do seu mau hábito. O homem pode tornar-se a tal ponto
senhor da sua vontade que em momento algum lhe perde o domínio, nem
mesmo dormindo. Conheço pessoas que se exercitaram a despertar por
si a uma hora exata que fixaram ao deitar. - Se, inversamente, um
jovem não lutar contra o hábito de esquecer as coisas, ficará sempre
esquecido, mesmo homem feito, e hão-de hesitar em lhe pedir qualquer
serviço, e terá com frequência dissabores. Entra ao serviço dos
caminhos de ferro e confiam-lhe a vigilância da linha? Omitirá, uma
ou outra vez, algum sinal e o comboio descarrilará. - Vem a ser
professor? Esquecer-se-á de dar a lição. - Advogado? Não irá à
audiência. - Pode até acontecer que esqueça o dia do seu casamento! |