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A grande lição de ginástica

Queres conhecer o primeiro princípio da educação da vontade? Exercita-te, todos os dias, nalguma pequena renúncia, e, em poucos anos, terás a vontade firme como a rocha.

Uma vontade exige inumeráveis pequenos esforços. Não basta uma resolução, ainda que fosse tomada com todo o entusiasmo. Uma forte corrente de um acumulador compõe-se de milhares de pequenas faíscas elétricas reunidas. Aquele que quiser vir a ser ágil no jogo da barra, deve primeiramente fazer, durante anos seguidos, os mais simples exercícios de ginástica. Para vir a ser um bom pianista, é preciso repetir, por muito tempo e sem se cansar, os trechos mais insípidos. Não se pode começar a tocar Beethoven; isso exige dedos exercitados e incansáveis.

Pois bem, é mais difícil ainda adquirir uma vontade firme sem pequenos exercícios da vontade, repetidos sem cessar, indefinidamente, porque nenhuma lição de piano ou de ginástica é mais árdua que a tarefa que alguém se impõe propondo-se vencer a inclinação para o mal.

Como quererias jogar o xadrez, se nem sequer conheces a marcha dos diferentes dados?

Igualmente, como poderias ter uma vontade firme em combates importantes, se nem sequer sabes dominar-te nas pequenas coisas?

Não, ninguém deve subtrair-se a esta grande lição de ginástica que é a educação da vontade. Direi mesmo que, quanto mais fraca for a vontade, mais necessidade tem dela.

Os germes de uma verdadeira multidão de qualidades e de defeitos existem em todos nós em estado latente; e cada um de nós é responsável por deixar a preponderância a estes ou àqueles.

Que se leve um carro pela direita ou pela esquerda, não importa, ao partir; mas, mais tarde, ele rodará melhor pelo caminho bem trilhado.

Não te lamentes, pois, se tiveres uma natureza difícil; porque, se a natureza não se deixa destruir completamente, sempre se poderá ativá-la ou refreá-la.

Dirás, talvez, que és sujeito à cólera súbita, e que nada podes contra ela... que, quando o teu colega te mostra a língua de fora, ou que a pasta dos livros te cai das mãos, ficas furioso, bem a pesar teu. - Pode isso ser verdade em parte: que, em tais ocasiões, te tornes vermelho como um pimentão; evidentemente, nessa ocasião nada podes. Que o teu coração comece a bater fortemente - ainda então nada podes. Mas ouve um pouco. Também fechas os punhos, não é verdade? Poderás muito bem abri-los. Fazes uma careta feia, não é assim? Podes muito bem procurar substituí-la por um sorriso - e imediatamente, por furioso que estejas. E até palavras inconvenientes quereriam sair-te da boca, não é verdade? Podes muito bem fechar os lábios e calar-te, por zangado que estejas... Experimenta a fazer isto.

Serás capaz de ficar tranquilo e continuar com calma buscando as palavras de latim ou de inglês, quando no dicionário não te saltam imediatamente aos olhos?

Serás capaz de reler três ou quatro vezes uma frase que não compreendeste logo à primeira leitura? A cólera tem necessidade do punho cerrado, do olhar furioso, de palavras grosseiras. Se a privares de tudo isso - o que muito bem podes fazer - a tua natureza brutal, não encontrando já o seu alimento, amansar-se-á cada vez mais. Já vês agora como podes refreá-la em tal ponto, como em todos os demais. Um arame curvo endireita-se empurrando a convexidade para o lado contrário.

O que e um floco de neve? Uma coisa bem pequena, bonita e inocente! Mas se os blocos de neve se juntam em massa, podem tornar-se uma avalanche capaz de arrancar as árvores pela raiz e de deitar as casas por terra!

O Jovem de Caráter
O que é o caráter?
  O que é caráter?
  Educa-te a ti próprio!

  Vontade forte!
  Palavras de Epiteto
  O valor de um ideal
  A energia ativa
  Liberdade
  As grandes almas
  Egoísta... não!

  Saberás dizer: não?
  Extrato de um diário
  O "papagaio" preso no fio telefônico
  Contra a corrente
  "Victor hostium et sui"
  Torre forte ou cata-vento?
  O escravo da consciência


Obstáculos à formação do caráter
  Folhas de outono no turbilhão
  A cruz de ferro
  O combate da alma
  Sem sacrifícios?

  Levantou-se com o pé esquerdo
  Não tenho sorte!
  Tentei... mas aquilo não ia!
  Querer muito
  O perigo do bom êxito
  O demônio do dinheiro
  A ave que tinha perdido a cauda
  A chama vacilante de uma vela
  A lebre e o caracol
  Gênio ou perseverança
  Na trincheira
  A educação da vontade

Meios de formação do caráter
  Como deve cada qual educar o seu caráter
  Eu poderia, se quisesse
  O jovem teimoso
  O exemplo de Demóstenes
  A grande lição de ginástica
  Sofrer sem se queixar
  Obedecer sem murmurar
  Nunca mentir!

  Por que mentir?
  Valerá a pena mentir?

  O poder das pequenas coisas
  Gulliver enforcado
  O estudante pobre
  Volta, ó Juventude!
  O que queres vir a ser?