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Imagina o generalíssimo de um grande
exército em tempo de guerra. Faz os seus planos e, no gabinete
silencioso, na retaguarda da frente de batalha, decide a sorte de
centenas de milhares de homens. Ali é proibida a mais pequena palavra. O
chefe de Estado-Maior entrega-se inteiramente ao estudo destes mapas
gigantescos sobre os quais todas as estradas, pontes e posições de cada
bateria e de cada guarda avançada são consideradas com meticuloso
cuidado. No gabinete vizinho, é um vaivém incrível e contínuo. A cada
instante toca o telefone ou se faz ouvir o matraquear do telégrafo.
Automobilistas e motociclistas chegam de contínuo, para partirem quase
imediatamente; os relatos sucedem-se; aviadores anunciam o resultado de
seus radares. E nada deste barulho ensurdecedor deve chegar ao
generalíssimo. Tem necessidade de tranquilidade e de sangue frio para
refletir e redigir com clareza as suas ordens.
Este homem, neste quarto silencioso, é como
que uma pedra imóvel na corrente dos acontecimentos; simboliza o caráter
independente.
O jovem que sabe permanecer fiel às suas
convicções, sem se deixar levar pelo barulho e pelas zombarias dos
amigos, é este caráter. "Contra torrentem!" - contra a corrente!
Aquele que, pelo contrário, vive no receio
contínuo do "que se dirá" não está ainda liberto; é escravo dos seus
próprios receios.
O profeta Daniel, caído prisioneiro de
Nabucodonosor aos catorze anos de idade, foi levado à corte do príncipe.
Podes imaginar a quantas tentações esteve exposto neste meio de pompa
incalculável! Sabes o que ele dizia, todas as manhãs? "Permanecerei fiel
ao meu Deus, e não comerei da carne proibida." - A tentação durou três
anos e Daniel não faltou uma vez sequer à sua promessa. Todos os
atrativos que o rodeavam neste palácio de mármore não puderam fazê-lo
desviar. Que belo caráter! - não achas?
Queres outros exemplos?... Lê.
Eis uma carta escrita por um rapaz que teve
de abandonar os seus estudos para ir para a trincheira durante a guerra
de 1914.
"Tinha caído em muito má companhia.
Entre os meus camaradas, eu não tinha um amigo que pensasse como eu;
estava só, absolutamente só... Oh! não era a alegria que faltava; mas
levava-se tudo para o mal.
Mudava-se o texto das canções,
misturando-lhe grosserias nas quais é até proibido pensar.
Liam-se em alta voz livros em que se
descreviam as piores torpezas com não poucos pormenores. E obrigavam-me
a escutar as coisas cuja existência eu ignorava em absoluto...
O pior de todos era o nosso cabo, que
empregava todo o seu reduzido saber neste gênero de divertimentos... Eu
desaparecia desta camaradagem logo que podia; mas, algumas vezes, não
podia sair. Então estávamos todos sentados em volta da mesa e o cabo
começava as suas chalaças. Procurava ocupar-me de outra coisa e não
ouvia. Mas, se davam por isso, constrangiam-me a ouvir... Em breve, por
causa disto, metiam-se comigo por tudo e por nada. Encarregavam-me de
todas as faxinas desagradáveis, e era punido com a maior severidade
pelas mais pequenas omissões, por coisas pelas quais nem sequer os
outros eram repreendidos. Não podendo mais, ia participar, quando me
mudaram de lugar... Hoje estou novamente livre de ouvir tais vilanias".
Que heroísmo e que independência, neste
soldado que teve a coragem de lutar assim contra a corrente: "contra
torrentem!".
Durante a Comuna, na Hungria, era proibido
rezar na aula, antes das lições. Um dia, numa das escolas da capital, o
"cidadão-professor" logo que entrou, mandou sentar os rapazes. Mas estes
ficaram de pé. "O que? O que é isto? Sentem-se!" - repetiu-lhes
ele. E os alunos disseram-lhe em coro: "Não rezamos ainda. Queremos
fazê-lo" - "Mas vocês bem sabem que a oração é proibida"
gritou o cidadão com os olhos a faiscar de raiva. - "Nós ainda não
rezamos!" - repetiu o coro. Nada tinha a fazer o professor. -
"Pois bem, gritou-lhes - rezai!" - Esta aula compunha-se de jovens
heróis.
Um homem de vontade firme abre caminho por
toda a parte, tal como uma queda de água por entre os rochedos; e as
almas corajosas, os caracteres independentes levantam-se como pirâmides
no deserto da imoralidade e da inconstância modernas. Nem todos têm a
oportunidade de praticar um grande ato de heroísmo. Tu próprio, também
não a terás, provavelmente. Mas a tua vida inteira pode tornar-se um
exemplo de heroísmo, se cumprires todos os teus deveres quotidianos com
zelo e fidelidade a toda a prova.
Sobretudo, não te deixes intimidar pelos
tagarelas.
Se defenderes corajosamente os teus
princípios, verás, muitas vezes, o inimigo bater em retirada, cheio de
medo.
De ordinário, parecerá menos um touro
selvagem irritado que um grande caracol que se apressa em esconder os
tentáculos ao primeiro contato duro.
Nós - a geração de teus pais - verificamos
com satisfação que a juventude de hoje é bem mais religiosa do que o
era, há vinte ou trinta anos. Mas isto é também uma necessidade urgente;
se não fosse assim, estaria perdida a cultura européia.
Durante a sua viagem ao Ocidente, o poeta
indiano Rabindranath Tagore verificou com surpresa que, a respeito de
moral, os costumes da Europa chamada cristã eram muito inferiores aos do
Oriente pagão. O espírito materialista do século XIX que nega a alma e o
seu destino eterno, que rejeita Deus, conduziu-nos, de fato, à beira do
abismo, e nenhum poder humano poderá preservar-nos da queda, a não ser o
de uma juventude profundamente religiosa que recobre os seus
nobres entusiasmos pelo Ideal.
Uma juventude profundamente religiosa! Quer
dizer que não deve ser cristã apenas nos registros, mas que o deve ser
na vida de todos os dias, que deve marcar as consequências deste sublime
pensamento: "somos jovens cristãos" no mais pequenino gesto, em
todos os pensamentos, em todas as palavras, em todas as ações. Sim, meu
filho, se pertences a esta juventude, é preciso que a tua vida dê
provas disso, desde hoje, durante os teus anos de estudo, e, mais tarde,
no caminho da tua profissão! Sempre e em tudo, é necessário que sejas
fiel às tuas convicções religiosas! |