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Quero!
Que força irresistível se desprende desta palavra! Com ela o impossível
torna-se possível... Ao ver os Alpes cobertos de neve e de gelo,
exclama-se quase instintivamente: "Impossível transpô-los!". Ora,
Aníbal e Napoleão disseram: "Quero! É necessário! Hei
de transpô-los!" - e transpuseram-nos com os seus exércitos.
Em 1866, antes da batalha de Lissa, o
almirante austríaco Tegethoff quis dar à sua frota esta divisa:
"Muss der sieg von Lissa werden" - é necessário que a batalha de
Lissa seja uma vitória. Mas, mal se tinham começado a ditar as primeiras
duas palavras, começou o combate. A divisa ficou no "é necessário"
misterioso, e a força destas duas palavras levou os austríacos à
vitória... "É necessário! Quero!". Que palavras poderosas!
Há já alguns anos, dava eu um passeio com
jovens estudantes através de uma bela região montanhosa e arborizada. O
dia estava lindo! Os pequenos jogaram, correram e divertiram-se com
entusiasmo tal que nos esquecemos da hora do regresso; quando olhei o
relógio, eram já seis e meia. Ora, a cidade estava a duas boas horas
dali, e os pequenos tinham prometido a seus pais estar de volta às oito
horas.
Que fazer, então? Ao som do meu apito, o
grupo juntou-se à minha volta em menos de dois minutos. "Meus filhos
- disse-lhes - estamos atrasados. São seis horas e meia; vós
prometestes a vossos pais estar em casa às oito horas, e para chegar à
cidade serão necessárias duas horas. No entanto, quereis vós estar em
casa à hora marcada?"
"Sim, sim, queremos" - gritaram
todos.
- "Muito bem. Então, apressemo-nos!...
Luíz Guizado à frente... Todos os outros alinhem-se!... À direita!
Marcha."
A esta ordem, vinte e oito pares de sapatos
feriram o solo. "Direito, esquerdo! Direito, esquerdo. Não falem!...
Não saiam do seu lugar!... Direito, esquerdo! Direito, esquerdo".
Ao cabo de meia hora, o entusiasmo começava
a fraquejar. Os rapazes tinham corrido tanto todo o dia! "Bom -
pensei - é o momento de fazer alguma coisa". E gritei-lhes:
"Cantai, rapazes! Eu começo: Vamos, vamos, o sol nasceu..."
Tiago de Monforte, que tinha belíssima voz,
encontrou imediatamente o mote e acertou por ele o passo. Os outros
seguiram-lhe o exemplo. Depois da primeira canção, entoamos a segunda, a
décima, a vigésima... Ninguém mais ficou atrás, ninguém saiu do lugar.
Estava o relógio a começar a bater as oito horas quando o alegre grupo
de estudantes entrava na cidade, - coberto de poeira e também de flores.
Tínhamos andado em hora e meia um percurso que deveria levar duas horas.
E isso porque? Com o auxílio de uma palavra mágica. Meus filhos -
dissera-lhes: "Quero!".
Eu desejaria que, também para ti, meu
filho, esta palavra tivesse o mesmo poder, que compreendesses bem que
fonte de energia ela encerra.
Acaso, sabes tu querer?... Decerto,
muitas vezes te acontece dizeres: "Se eu quisesse, poderia fazer isto
ou aquilo... Se eu quisesse podia ser o primeiro do curso... Se eu
quisesse podia se sempre pontual... Se eu quisesse, podia fazer todos os
dias as orações da manhã e da noite...".
Quid quisque possit, nisi tentando
nescit - diz o provérbio latino: O que alguém pode, não o sabe senão
tentando fazê-lo. Admitamos que é sempre como dizes. Esforça-te, então,
por querer, ao menos uma vez! |