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A alma é, portanto, teatro de uma luta sem
tréguas entre o bem e o mal. Durante os anos da juventude, esta luta é
particularmente encarniçada. Com o tempo, torna-se menos dura; nunca,
porém, podemos dizer que ela terminou.
E quem é que combate em nós e contra
quem?... Mal tinhas atingido os 5 ou 6 anos, quando o inimigo se
anunciou por não sei que atrativo, até então desconhecido, que te levava
para o mal. Era como que um peso invisível que te arrastava contra tua
vontade para as profundezas vertiginosas do pecado. Esta herança nefasta
que a religião cristã conta entre as consequências do pecado original,
chama-se a inclinação para o mal.
É bom que saibas, meu filho, que, por sua
natureza, o homem pende muito mais para o mal que para o bem. É natural
que, já mais de uma vez, tenhas disso a experiência. Quantos obstáculos
se nos deparam no caminho quando queremos formar a nossa alma segundo os
preceitos de Deus! Conhecemos o ideal sublime que Nosso Senhor assinou à
vida humana - à nossa por consequência.
Sentimo-nos possuídos de admiração pela sua
doutrina; bem quereríamos realizá-la em nossa vida... Mas, ai! que
trágica herança descobrimos em nós! Se o bem nos agrada - e agrada
certamente - o pecado atrai-nos ainda mais. Se a virtude nos convida às
alturas, o vício mantém-nos em baixo. Nós quereríamos voar bem alto para
os cimos nevosos da perfeição, e a tentação prende às nossas asas um
peso de chumbo... Dize-me, meu filho, não sentiste ainda em ti esta
luta, este combate encarniçado que um jovem, de oito anos apenas,
exprimia ingenuamente nestes termos: "por que é tão doce ser mau e
tão amargo ser bom?"...
Já vês agora que aquele que fica vencedor
neste combate é um herói.
Mas, então, há jovens que sucumbem?...
Sim, infelizmente! E são em grande número!
Um estudante passa na rua; um colega põe-se a arreliá-lo: dentro em
pouco agridem-se a soco e a pontapé. Isto não é heroísmo. Heroísmo é o
domínio da própria natureza e de suas más inclinações. É necessário
heroísmo para desviar bruscamente os olhos de um anúncio imoral ou de
uma figura indecente lobrigada na vitrine de uma loja de comércio; é-o
ainda necessário para pedir imediatamente perdão, quando se ofendeu a
alguém; mas ele é, sobretudo, necessário para permanecer fiel a Deus em
todas as ocasiões do pecado. |