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O Diálogo - Santa Catarina de Sena

Resenha

No mês de outubro de 1377, Catarina achava-se hospedada no castelo da família Salimbeni no Vale da Orcia; provavelmente no dia de São Francisco de Assis, passou por uma grande experiência interior, que lhe fez compreender em toda a sua extensão o prejuízo causado à Igreja pelas lutas político-religiosas de seu tempo.

Além disso, por aqueles dias, recebeu uma carta de seu diretor espiritual Frei Raimundo, na qual ele expressava iguais sentimentos. Vivamente impressionada, a Santa respondeu-lhe com a carta n.272, escrita de próprio punho. Tal carta, segundo a opinião de todos os estudiosos, constitui o gérmen da sua obra-prima, o Diálogo.

Não sabemos com precisão as datas que delimitam a composição desse livro. O B. Raimundo diz o seguinte: "Quase dois anos antes da morte, o céu lhe revelou a verdade com tal clareza, que Catarina se viu obrigada a difundi-la por meio da escrita e pediu a seus secretários que permanecessem prontos a transcrever quanto saísse de sua boca, logo que a vissem entrar em êxtase. Assim, em breve espaço de tempo, foi composto um certo livro, que contém o diálogo entre uma alma - que faz quatro pedidos ao Senhor - e o próprio Senhor, o qual lhe responde instruindo sobre numerosas e úteis verdades".

 

Prefácio do tradutor

Este Livro é cheio de numerosas e admiráveis explicações para chegar à perfeição.

 

Trecho do Livro

Cap. 37: Agradecimento final de Catarina

 

"Agradeço-te, agradeço-te, Pai Eterno, porque não desprezaste esta tua criatura e os seus desejos. Tu és a luz e eu sou a escuridão; és a vida e eu sou a morte; és o médico e eu a enferma; és a pureza e eu a pecadora; és o infinito e eu finitude; és a sabedoria e eu a tolice.

Apesar deste e de outros infinitos males que existem em mim, tua sabedoria, bondade, clemência e infinito bem não me desprezaram.

Iluminaste-me até com tua luz. Em tua sabedoria conheci a verdade, na tua clemência encontrei a caridade por ti e pelos homens. Quem te obrigou a realizar tudo isso? Não as minhas virtudes, mas teu amor.

Que teu conhecimento ilumine minha inteligência pela fé e que eu compreenda a verdade a mim revelada. Concedei-me que na memória conserve a recordação dos teus benefícios; que minha vontade arda na chama do teu amor. Que tal chama faça brotar sangue do meu corpo. No sangue e na obediência eu abrirei as portas do céu. O mesmo eu peço para todos os homens, em geral e em particular, bem como para a hierarquia da Santa Igreja. Confesso que me amaste antes que eu existisse e que me amas inefavelmente, como que enlouquecido pela tua criatura.

Ó Trindade eterna, ó deidade! Tua natureza divina valorizou o preço do sangue de Jesus. És um mar profundo. Quanto mais nele eu penetro, mais encontro; quanto mais encontro, mais te procuro. E quando o homem se sacia no teu abismo, mais deseja; está sempre com fome, com sede de ti".

 

Santa Catarina, rogai por nós.

 

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