|
Resenha
Considerada uma das melhores biografias do
santo, Dom Bosco, de A. Auffray, passa minuciosamente por todas as etapas de sua vida.
Das dificuldades do jovem João Bosco na
infância, a vocação contrariada, seus sonhos místicos que somente serão
revelados mais tarde como sacerdote, às vitórias, conquistadas uma a uma
depois de um longo e árduo trabalho unidos com uma fé invencível,
podemos ver como a Providência de Deus age em uma alma caridosa, uma
alma que se entrega totalmente aos desígnios de Deus.
O melhor da obra é, sem dúvida, o fato de
não tratar o santo como alguém que nasceu assim. Um dos maiores erros de
um hagiógrafo é apresentar o santo não como um ser humano normal, como
nós, mas como alguém que possui todas as graças desde a mais tenra
idade.
Não! A. Auffray nos mostra as batalhas
internas de João Bosco para vencer a si mesmo, seu temperamento difícil,
e como a Providência disponibiliza os meios necessários para tal e
recompensa os verdadeiros heróis.
Depois disso, todas as lutas para construir
a obra salesiana, material e espiritualmente. A direção de almas, os
caminhos insondáveis de Deus.
Leitura obrigatória!
Apresentação à Edição Brasileira (1946)
"(...) Que precioso punhado de sementes que
é a vida de Dom Bosco! Que estupenda floração de exemplos de santidade,
de estímulos para o apostolado, de sincera e exultante glorificação!
Onde quer que se leia a narração dessa vida cheia da mais vária
policromia de fatos, de vicissitudes, de heroísmos, de incompreensão dos
homens, de proteção do céu, de milagres, de profecias, de vasta e
ubertosa irradiação de apostolado, iluminam-se as frontes, aquecem-se os
corações e movimentam-se todas as fibras do entusiasmo. E mais de um
leitor ou ouvinte deve exclamar comovido: "Bene omnia fecit" (Mc, VII,
37). - Tudo o que ele fez saiu bem! "Psallite Domino quia gloriosa fecit;
innotescat hoc in universa terra" (Is, XII, 5). - Louvai a Deus que
realizou coisas tão gloriosas; é preciso que toda a terra conheça tais
maravilhas.
Ora, dos muitos que escreveram a vida de
Dom Bosco, "para que toda a terra conheça tais maravilhas", o ilustre
salesiano francês, P. Agostinho Auffray, está entre os que mais palmas
lograram merecer, pela maneira feliz com que soube aliar a fidelidade
histórica, o sabor literário e a análise perscrutadora dos vários lados
da figura desse "Gigante da caridade". O leitor, ao mesmo tempo que
penetra sensivelmente no recinto histórico em que viveu Dom Bosco e
contempla o vivo desenrolar-se dos acontecimentos em que o Santo foi
Protagonista, tem a satisfação de se ver nisso acompanhado por um guia
ilustrado e atencioso, o qual não deixa passar despercebido nenhum dos
tesouros que se escondem sob a amável simplicidade do grande educador do
século dezenove.(...)"
Trecho
do Livro
Cap. 19: O homem e o santo
"(...) De natureza ardorosa, havia nele um
forte amor próprio. É essa mesma a palavra que temos que empregar:
sentia-se levar pelo orgulho. Quando criança confessou que a obediência
lhe custava um verdadeiro sacrifício; depois de mais crescido, pensara
em ir buscar na regra religiosa dos franciscanos o segredo para domar
tal paixão. 'Se eu não e tivesse feito padre ou frade, ter-me-ia tornado
o mais desabusado dos liberais' confiou certa vez a alguns amigos
íntimos.
E Deus lhe tinha dado mesmo qualidades tais
que poderiam servir de alimento à paixão do orgulho. Tinha uma memória
prodigiosa. O Padre Francesia conta que em 1958, portanto já na idade de
43 anos, em viagem para Roma, ao avistar pela primeira vez o Tibre
cantado por Horácio, pôs-se de pé no carro em que ia e, como um
humanista da Renascença saudou o histórico rio com as célebres estrofes
do grande lírico latino.
De igual capacidade era a fantasia, não
porém de poeta e sim de construtor. Via planos grandiosos, muito vasto,
e tudo com a maior naturalidade. Seu imperturbável otimismo fazia-lhe
conceber imensos projetos. Temos que confessar que as visões noturnas
lhe alimentavam essas tendências naturais. Mas sem dúvida, ele foi no
seu século, conforme a palavra de Huysmans, "um inaudito agente de
negócios de Deus Nosso Senhor".
(...)
O Cardeal Carlos
Sallotti dizia ao Sumo Pontífice:'No
estudar o volumoso processo de Dom Bosco fiquei mais impressionado com a
vida interior de sua alma do que com a amplitude de suas obras.
Muitíssimas pessoas só conhecem dele as múltiplas fundações, mas ignoram
totalmente ou quase totalmente o maravilhoso edifício de perfeição
cristã por ele construído na própria alma, praticando dia por dia, hora
por hora, minuto por minuto, as virtudes próprias de seu estado'.
Isto é muito exato. E Sua Eminência poderia
ter acrescentado: 'A grandeza dessa obra e seu desenvolvimento
gigantesco só se podem explicar com a riqueza e a fecundidade dessa vida
interior'. Quando vemos um rosto corar-se podemos logo pensar no coração
que palpita para ruborizá-lo; perante os frutos maduros que pendem de
uma árvore lembramo-nos logo das raízes misteriosas que sugam da terra a
vida para levá-la à polpa desses frutos: assim também, diante do
maravilhoso desenvolvimento da atividade de Dom Bosco, é preciso
remontar até às profundezas das palpitações de sua alma. Aí está o
segredo de todas as suas criações e sua conquistas.(...)
Estabelecer o ponto de partida da vida
interior de Dom Bosco e a força de desenvolvimento que a levou de
ascensão em ascensão é sem dúvida coisa muito difícil. Os dados
históricos que se conhecem são ainda insuficientes e não há ainda a
necessária distância de tempo. Mas o fato, em si mesmo, isto é, a
absorção desta alma em Cristo e na Virgem Santíssima e sua fusão
íntima com Deus é coisa que só passa despercebida a espíritos muito
superficiais.
Leia esse livro na íntegra
(obs.: Site independente; não nos responsabilizamos pelo conteúdo
divulgado).
São João Bosco, rogai por nós.
|